Se ando em vales sombrios,
foi escolha que assumi.
Das forças que me invadem,
faço gana de existir.
De ilusões faço um abrigo,
que despindo vou partir.
Nua, diante do vazio,
emergir é meu persistir.
Não choro pelas derrotas,
bebo lágrimas — meu elixir.
No extremo não me retraio,
xafurdo, adubo o porvir.
Mesmo o sangue sujo aceita,
há de tudo me nutrir.
Pois de todas as verdades,
sei apenas: sou em si.
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