A realidade, em sua essência, é uma constante transição entre o "ser" e o "não ser", um princípio de incerteza que permeia a própria estrutura do tempo. Cada átomo "pisca" entre estar e não estar, enquanto blocos de tempo constroem uma linearidade ilusória, que, a cada momento, se dissolve no atemporal. Nesse estado, a consciência, ao experimentar complexidade, pode tocar o vazio potencial do "não ser", um eterno paradoxo que se revela na interseção do ser e do nada. O misticismo, então, surge como um caminho para explorar esse eterno movimento entre existência e inexistência, onde a experiência consciente é simultaneamente uma construção e uma dissolução, refletindo a indeterminação fundamental da realidade.
Em muitas correntes filosóficas, o conceito de devir é central para entender como a vida, o ser, a matéria e o espírito estão em constante movimento. O devir é o processo de transformação, mudança contínua, que nunca se concretiza em um estado final ou estático. Mas e se, ao pensarmos sobre o devir, pudermos também questionar o que está se transformando, como ele se origina e, principalmente, de onde vem essa força transformadora? Quando exploramos o devir-mulher, como o entendo aqui, não se trata apenas de uma mudança fluida, aberta e indefinida, como nos propõem Deleuze e Guattari. O que está em jogo não é apenas um movimento sem forma ou uma transição indefinida, mas uma essência primordial, que se conecta diretamente com a própria base da vida humana e natural. O devir-mulher não é apenas um potencial de transformação, mas a própria força vital, a energia que mantém os seres e suas relações em continuidade. A mulher, nesse devir, é a representação dessa força unificadora, um elo es...
Comentários
Postar um comentário