Quando estamos falando dos "bruxos de Jesus", e nesse contexto onde o devir encontra sua própria prisão, o paradoxo da imanência se mostra mais claramente. Trata-se de um fluxo que nunca se completa, como uma masturbação que jamais atinge o clímax: um movimento constante, um desejo que gira sobre si mesmo, esgotando-se sem nunca alcançar a consumação ou a liberação.
Aqui, há um bloqueio na produção do novo, uma impossibilidade de gerar algo que escape ao ciclo fechado. Pois, se a imanência é a fonte, é também o abismo que nunca se preenche — qualquer tentativa de "afetar" o mundo a partir desse lugar é absorvida pela mesma estrutura que se tenta transcender. É uma imanência que se dobra sobre si, autoconsumindo-se, privando-se da potência criativa que só nasce das afetações verdadeiramente inesperadas, aquelas que surgem como rupturas espontâneas, alheias ao controle da vontade.
Assim, o desejo desses "bruxos" torna-se um movimento mal direcionado, uma energia que se dissipa porque está presa na repetição de seus próprios gestos, como uma dança que não pode escapar do círculo que ela mesma traça no chão. A vontade, nesse sentido, é insuficiente: ela não consegue penetrar na imanência porque está condicionada a um horizonte que já foi codificado. Para gerar um real potencial, seria necessário um "acidente" que viesse de fora, algo que a própria imanência outorga sem aviso prévio, um evento não antecipado que desvie o fluxo e crie novas possibilidades.
Sem essa afetação exterior, sem essa interrupção inesperada, qualquer esforço se torna um reflexo narcísico, uma espiral que se perde na própria busca de transcendência, mas que jamais escapa ao círculo do sistema. A potência, então, só é liberada quando ocorre a ruptura, quando o inesperado se infiltra no contínuo e provoca um colapso das linhas de captura — um desvio radical que não se deixa mapear.
Comentários
Postar um comentário