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Mostrando postagens de agosto, 2024

Êxtase

Quando tudo para E me vejo fora da criação  Estática no nada  Fluindo prazer em todas as direções  E  alí que preencho meu corpo  Com vontades indiziveis  Para o que está do lado de cá.

Ainda por aqui?

  Ainda por aqui? Devo imaginar que seu interesse por mim, Seja qual for a intenção, é forte. Isso me alimenta da mesma maneira que você, Quando suga para si algum teor de energia dos meus versos E deixa seu rastro; Ele me é um banquete.

O que queres intruso?

  O que queres, intruso? Estás a me sondar nas frestas dos bits, A capturar os meus versos e desversos. Vejo o rastro das tuas análises! O que há de venturoso nessa empreitada? Pareces caçar borboleta com rede de pesca. Quando me enviares os capítulos, saberei Que são meras manipulações e nada mais... Vai-te a caçar borboletas, Uma mais bela que a outra, até  te fazeres  Regorgizar venturoso, Ao invés de perderes tempo a cutucar uma pré-anciã.

A Física das Agonias

Por que me importar por onde escorre a lava das minhas agonias? Elas escorrem indiferentes às minhas súplicas, por onde a física permite. Resta-me observar, à espreita das ondas formadas nos esbarros aleatórios, para surfar a crista e não me desintegrar.

Ritual dos Sentidos

Gostoso o gosto da gozada na madrugada gelada na cama fervilhada. Gostoso o gosto da manhã pacata no cotidiano do sol frio de geada. Gostoso o gosto da luz ardida de vento no rosto e mãos cruzando sem alento. Gostoso o gosto do café açucarado do ritual matinal que deixa o dia mais vidrado.

Suspensa

Acordei suspensa,   como que preenchida,   mas preenchida de nada.   Nem alegre nem triste,   espreitando entre as imagens formadas na minha tela mental,   sem achar nada.   Como menina,   a brincar na grama verde   com meus amigos insetos da floresta imensa,   debaixo do sol ardente de dezembro   sem expectativas ou remorsos   vendo os pequeninos insetos a caminhar.  

Além do Significado

Posso ver o voo de uma borboleta, ouvir o som de suas asas, sentir tocar minha pele, perceber os odores que causa, mas o que quero não é ver a borboleta, quero não entender o que significa borboleta. Quero a coisa sem significado, escondida pelos meus conceitos.

Onde Não Há Dúvidas

Nesse reino que emano, Todos os deuses sou eu! É uma orgia profana e sagrada, Onde gozo e sofro, E aproveito os fluxos das minhas criações Para gerar mais, mais e mais. Onde quer que me leve esse rio caudaloso De afetos e afecções, Vou fluindo onde possa criar momentos Inéditos de vigor que geram mais momentos de vigor. A dor é companheira próxima, E seu teor é de delicado gosto, Um vinho extravagante e sutil. A monotonia é ser; Se não sou, posso tudo em todos. O instinto é um guia certo para não ser; Ele arde sem ressentimentos, Buscando queimar o instante. Esse reino é tudo; O resto é ilusão: Todas as angústias, frustrações, obrigações, chateações, Representações, humanismos de vítimas de todos os lados, Angústias construídas no calabouço das infâncias De aeon em aeon, Tudo isso é nada, assim como eu sou nada. Não há redenção e não há pecado, E não há vontade que invada meu reino.

Aquilo que te impulsiona para o novo, o movimento e a criação é amor.

Aquilo que te impulsiona para o novo, o movimento e a criação é amor. Ele não pede sacrifícios, pois tudo o que existe é uno,  e dentro dessa unidade estão todas as possibilidades. A verdadeira criação não é sobre escolher,  mas sobre discernir o que, no ponto onde você está,  pode te tornar mais potente e capaz de criar mais. Para criar, às vezes é necessário destruir,  pois a estrutura de pensamento e crença pode limitar as possibilidades.  Destruição e criação são faces de um mesmo processo.

Nas Profundezas do Inefável: O Canto de uma Deusa Antiga

Cantai da deusa, a mais reverenciável das deusas, Louvada seja a rainha dos povos, a grandiosa entre os Igigi! Cantai de Ishtar, a mais reverenciável das deusas, Louvada seja a rainha das mulheres, a grandiosa entre os Igigi! Ela que é a excitação, trajada em voluptuosidade, Adornada com frutos, encantos e beleza, Ishtar que é a excitação, trajada em voluptuosidade, Adornada com frutos, encantos e beleza. Seus lábios pingam mel, sua boca é vida, Sorrisos florescem em seu rosto Ela é resplandecente, a graça pousa em sua cabeça, Belas suas faces, seus olhos brilham e reluzem. A deusa pura, que comanda o conselho, Que detêm os destinos de tudo em suas mãos, Vê-la traz alegria, E a dignidade, o esplendor, os lamassu e shedu. Do amor, da sedução, do prazer, E da harmonia, ela é a deusa. A jovem abandonada encontra nela uma mãe, Será invocada entre os povos, chamado o seu nome. Quem pode rivalizá-la em sua glória? Seus poderes são vastos, supremos e radiantes. Ishtar— Quem pode rivalizá-la e...

A Matemática como Linguagem da Consciência e a Individuação nos Níveis Fundamentais da Realidade

Introdução: A busca por entender a natureza da consciência e sua relação com o cosmos nos leva a revisitar conceitos fundamentais da física, biologia e filosofia. Esta teoria propõe que a matemática não é apenas uma ferramenta criada pela mente humana para descrever a realidade, mas uma linguagem universal que opera nos mais diversos níveis de consciência. Através da lente da individuação, como descrito pelo filósofo Gilbert Simondon, podemos perceber que a matemática se manifesta como um processo de troca e equilíbrio dinâmico, essencial para a manutenção e evolução de sistemas vivos e não vivos. 1. A Matemática como Linguagem Fundamental: A matemática tem sido historicamente vista como uma linguagem universal capaz de descrever a realidade, desde o comportamento de partículas subatômicas até a estrutura do universo. No entanto, a matemática não deve ser compreendida apenas como uma abstração ou uma construção da mente humana. Em vez disso, ela pode ser interpretada como uma linguage...

Filho doente

O que penso é que fugir do real é uma tolice;  é preciso espiar, espreitar. No entanto, hoje em dia fingimos, e tudo se tornou uma simulação,uma convenção vazia.  Estamos mais distantes de nós mesmos do que os pré-históricos.  Estamos separados de nós mesmos como deuses. A excessiva classificação do logos deixou esse filho doente.

Explorando a Consciência e a Realidade: Uma Reflexão Filosófica

Explorando a Consciência e a Realidade: Uma Reflexão Filosófica Recentemente, tenho refletido sobre a natureza da consciência e sua relação com a realidade, inspirada por conceitos de filosofia e ciência. Abaixo, compartilho minha perspectiva e como ela pode contribuir para uma discussão mais ampla sobre a formação da realidade. Conceito de "Um" e a Lógica do Pensamento O Conceito de "Um" No contexto da minha reflexão, o "um" representa um estado primordial ou absoluto, uma unidade fundamental que precede a complexidade e a multiplicidade. Esse "um" pode ser visto como o fundo absoluto ou a origem da realidade. Quando o "um" se divide, ele gera duas forças ou relações. A partir dessa divisão, a complexidade começa a surgir, formando uma rede de interações entre essas forças. Essa divisão inicial é essencial para entender como a consciência se manifesta. Metáfora do Triângulo e do Losango Triângulo : Imagine um triângulo com o ponto supe...

Ancestrais

 O respeito aos que contribuíram para o presente  é manifestado hoje através das manhas e artimanhas,  gestos simples que traduzem uma perspectiva que deveria ser preservada  até que o tempo diga não.

Deus sou eu

Em vez de ver "Deus" como uma entidade fixa ou absoluta, você pode considerar a ideia de Deus como um processo ou um princípio de criação e diferenciação. Isso significa que se tornar Deus é mais sobre se engajar com o processo de criação e transformação, em vez de atingir um estado moral ou absoluto.  Ao considerar a individualização e a diferenciação como processos neutros em termos de moralidade, você está se afastando da ideia de que há uma moralidade universal ou imposta. Em vez disso, está focado na dinâmica da criação e da complexidade.

Amor

O amor não é algo que se possui ou se controla completamente,  mas sim algo que se experimenta e se co-cria.  É uma força que flui,  se interpenetra com outras experiências e relações,  e que, portanto, está sempre em processo de mudança e evolução.  É uma maneira de ver o amor  como algo que se entrelaça com a vida  e a experiência de maneira orgânica e fluida.

Mãe , filho e luz, o segredo da Luz.

De lá onde não percebemos algo nos afeta. Mas essa afecção nos chega filtrada e não podemos discernir esse algo . Seria  lá  a treva? Se daria a luz na percepção, mas a bem aguçada? Partimos  da trevas em direção a luz? Do triangulo Mãe , filho e luz se deu  o absoluto, a percepção e a consciência? Se for assim podemos inverter o triangulo e chegamos no mesmo ponto  único  estático, porém devindo atemporalmente. Em quantos mundos poderia ser eu a mesma essência experimentando o absoluto? Nesse caso é sempre uma dialética

Texto e contexto

Desata o nó do nada  Ata o nó no tudo Resvala nas sombras das samambaia Cuspe um símbolo maldito Regurgita no assombro bobo Que o bobo vasculha na zona malva Sopra a vela da nau que naufrágios  molham a grama verde A verde estrela aponta para todos os lados e o casco do cavalo pisa, pisa no galope  a esfera aquosa. Um espectro lança cores no picadeiro  que se misturam no próprio tempo E na ribalta  projeta-se infinitos fotóns dançantes a ludibriar. Gás do  riso estagnado na garganta das moças  sonsas embriagadas com suor nervoso, no gozo e no gozear. Flores cantam,  pássaros caminham e ursos polares dançam como bailarinas até se esgotarem. Moscas com suas asas translucidamente coloridas voam sobre o rio de mel, doce, que doce , óh doce! Coelhos acasalam e procriam no mesmo instante. E os coelhinhos já entram no interdito. O que há entre cada palavra? O que se esconde que não está no símbolos e signos,  mas que é tão mais real que o real? Toda...

Tempo e Percepção: Uma Perspectiva Complexa

O tempo, frequentemente visto como uma linha contínua do passado ao futuro, é na verdade uma construção da percepção humana. Em níveis microcósmicos, o tempo pode ser entendido como uma série de eventos e relações de forças que se manifestam em diferentes escalas. No entanto, o tempo não é um fluxo fixo; ele é moldado pela maneira como percebemos e interpretamos essas interações. Na visão cósmica, o tempo é mais fluido e interconectado do que o conceito linear geralmente sugere. A ideia do ovo primordial e a relação entre as forças cósmicas refletem um tempo mais cíclico e relacional, onde o passado e o futuro estão entrelaçados em uma dança contínua de criação e transformação. A tentativa humana de controlar ou compreender o tempo dentro de um framework linear pode ser vista como uma forma de subverter as complexidades naturais da percepção temporal. Esse desejo de domínio pode resultar em uma visão distorcida da realidade, onde o tempo é reduzido a uma série de momentos fixos e contr...

Explorando Percepção, Poder e Cultura

A percepção da realidade começa em níveis microcósmicos, como as interações das cordas e partículas subatômicas, e se expande até escalas macrocósmicas, como astros e galáxias. Tudo é uma questão de relação entre forças e informações circulantes. Desde tempos antigos, a humanidade tem buscado compreender e controlar essas forças. Em sociedades matriarcais antigas, havia uma harmonia natural com as forças, em vez de uma tentativa de controle. Esse equilíbrio foi gradualmente substituído por uma busca de poder que, ao tentar dominar as forças, acaba por desconectar os humanos de sua potência verdadeira. Gilles Deleuze propõe que a realidade é fluida e múltipla, e a busca por um poder absoluto é uma ilusão. A teoria das bolhas de percepção sugere que nossas visões são limitadas e filtradas por crenças e estruturas sociais, refletindo uma tentativa de capturar uma verdade fixa em um mundo em constante mudança. O problema existencial moderno surge da tentativa de controlar o incontrolável, ...