Estava no meio de um fluxo incognoscível. Do nada, soltei a última parte da Ave Maria. Era como se a oração emergisse de dentro de mim, sem intenção, sem pensamento. Depois de algum tempo, fui sendo levada — através de muitas eras desta minha vida. E, sempre que tentava me apegar a alguma, lembrava: aquilo não era real. Fui atravessando formas, nomes e rostos até que já não havia mais um “eu” que pudesse se esgotar. Entrei então em alucinações desordenadas, em constante alteração. Continuei a ignorá-las — não era o que eu queria ver. Tudo era ilusão. Por fim, me encontrei em algo real. E o que vi, só posso traduzir como um frenético pulsar, um chocalhar de polaridades vibrando umas sobre as outras. Ali estava Barbelo — pois assim se apresentou a mim. Vi sua natureza, a vibração das forças antes da forma, o abismo criador. Enquanto me diluía, alguns entes tentaram me molestar. Diziam que eu era insignificante. Mas os recusei, um a um. Não por orgulho, nem por raiva — mas porque a única ...