Quem sou eu?
Antes, era cheia de mim, estufada de "eu",
amante enlouquecida de um amontoado de gestos e certezas.
Errante junto às massas fluídicas,
juntando signos para construir um emaranhado de conceitos efêmeros.
Hoje, me sinto caminhando para um vazio aterrador,
sem ter onde me agarrar, caindo, caindo, caindo no abismo sem fim.
Será que o niilismo se desdobra sobre si mesmo?
Como, sem conceitos, preencher um modo de ser?
O ser-em-si abarca tudo, gera as mais estranhas comiserações,
esgota no ato as suas possibilidades, e delas se refaz no ato, novamente.
Afinal, o modo de ser o ser-em-si é não ser-em-si,
para todo o sempre. Amém.
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