Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de março, 2025

Das Postestades e Potências

Os conceitos, quando dizem “são”, não abarcam o imediato oposto, e com isso vemos o problema das definições. As definições que criamos apontam, de longe, apenas uma fração do abismo aconceitual. Potestades e potências podem ser explicadas em meros anjos e demônios, como forças que estruturaram o abismo e, por conseguinte, o cosmos. Mas não se deixe enganar, pois essas definições são apenas conceitos — não aquilo que é. Imaginemos, num esforço para entendimento, que fora das percepções não apenas não há tempo, mas que ele é subjacente ao que é. Assim, eras e éons deslizam no que é. O que é se expande sem limites, não estando na eternidade, pois esta é um conceito limitado à nossa compreensão. O que é, simplesmente é. Essa seria a realidade dos acéfalos — entidades cuja natureza, para nossa compreensão, se aproxima do devir. Sofro de uma luta de definir, definir, mas de um jeito que desdefine. Antes de tudo, o espaço precisa ser criado, um abismo interno, para que o informe possa se pree...

O Atravessar

Se meu corpo morrer, que hei de perder? Se minha alma, essa que hei de criar, No abismo se aniquilar, O que hei de perder? Não tenho medo, a não ser os tolos: De doer ou de perder. Mas se até minha alma posso entregar Sem o mínimo medo do vazio tanto quanto do cheio, Não há, dentro ou fora das fronteiras do espaço-tempo, Aquilo que me possa amedrontar. O que sobra quando nem o medo de perder me resta? Se tudo continua, indiferente ao meu ser ou ao meu não-ser, Se o mundo segue, sem que minha ausência o desvie, Por que haveria de importar? Se nem o abismo é fim, Se a aniquilação não pesa mais que a existência, Se comer ou não comer são gestos vazios de sentido, O que há para eu segurar, para temer, para desejar? O medo de perder, dizem, é o que dá forma ao querer. Mas se até meu querer se dissolve, Se até meu medo se rende, O que me resta senão o nada—e ainda assim, o nada continua? Se minha dimensão é apenas um ondular Na vastidão de dimensões repletas de seres glutinadores, Que existe...