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Mostrando postagens de junho, 2024

Arcano 1 – O Mago

  Arcano 1 – O Mago   Esse coitado tava de boa, lá pescando, caçando e dançando para chuva.   Tinha lá seus problemas, tinha. Mas tudo era apenas estar onde precisava, fazer o que tinha que fazer e cantar e dançar. Fazer um sexo gostoso quando tinha vontade, enterrar seus amigos e cantar para eles. Era estar ali e falar com água para saber onde está a caça. Pedir conselhos para as plantas para sua dor de barriga e subir nas árvores para chorar com os pássaros. Dançar na noite junto com as estrelas, chamar o espírito para celebrar sua alegria.   Agora, o coitado, tem um monte de coisa que ele pensa que entende e fica fabulando para entender mais.   --Tem que ser assim assado! --Pode isso, não pode aquilo! -- É em cima como é embaixo. -- É quadrado, mas vira um círculo, que vira triangulo, mas no fundo é um ponto!   E quem disse tudo is so foi o espírito!   Mas o espírito dançava! Ele celebrava! Como ele passou a falar tão estranho e dizer coisas co...

Cosmogonia da Serpente Matrona e a Realidade das Bolhas de Percepção

Cosmogonia da Serpente Matrona e a Realidade das Bolhas de Percepção No início dos tempos, antes da dualidade e da criação, existia a Serpente Matrona. Ela repousava no ovo primordial do caos e cosmos, uma unidade indissociável que explodiu, gerando o tempo e a realidade como a conhecemos. Este mito não é apenas uma história de origem, mas uma representação da dinâmica entre o caos e o cosmos, e como essa relação influencia nossa percepção e compreensão do universo. A Dança do Caos e Cosmos A Serpente Matrona simboliza a força primordial, a energia indomada do caos que dá origem ao cosmos, a ordem emergente. Este processo de criação é contínuo e refletido em todos os níveis de existência, desde as interações subatômicas até as vastas estruturas galácticas. O caos é a fonte de potencial infinito, enquanto o cosmos é a manifestação organizada desse potencial. O Logos e Sua Teimosia O Logos, filho do caos e cosmos, busca organizar e compreender a realidade. No entanto, sua teimosia reside...

A normalidade é uma doença construída quando o logos veio ao mundo.

Temos antes de convir o que chamamos de realidade é uma convenção fantasiosa.   Nada a natureza convém, apena é. O logos trouxe essa fantasia de ser e aprendeu a contar, a medir, a comparar, a ver uma progressão de sequência de fatos totalmente fantasiosos, cada vez mais medidos e qualificados.   O logos se tornou referência e tudo mais era além dele mesmo.   As pobres criaturas foram imbuídas de razão, e para ser é preciso ter razão.   Mas voltemos a convenção, tudo, exatamente tudo é percepção, não há como provar em última instancia porra nenhuma. O que se sabe é o que se percebe, nada mais. Sabe-se que eu vou morrer, mas nem mesmo isso se sabe, sabe se apenas um fragmento, por que a percepção se encerra ali, o que de fato é essa bagunça organizada de micropartículas buscando mais caos, a razão não sabe. O logos fantasiou para si mesmo a convir o que lhe era razão.   Então o logos se sabe uma falácia buscando razão em si mesmo quando não há razão.   Talve...

O que não é o feminino.

O feminino não é ser mulher. O feminino não é uma característica da psique. O feminino não é uma estrutura do pensar. O feminino não é um conceito. O feminino não é um sexo. O feminino não é absolutamente um sentir característico da mulher. O feminino não é o oposto do masculino. O feminino não é um ser ou um modo de ser. O feminino não é, mas pode vir a ser. O feminino não é uma construção da sociedade. Falta ao nosso pensar a definição da potência feminina fora dos enquadramentos comuns. No feminino não repousam a beleza, a bondade e a harmonia. No feminino não há só amor incondicional. No feminino não amamos sempre nossos filhos. No feminino não há a paz, mas o conflito! No feminino não há comodidade, a língua feminina quer causar. No feminino não há estabilidade; ele não cessa de girar. O feminino fere com profunda eficácia onde pretende atacar. O feminino não é passivo; é ativo além do logos. Não é a calma, não é submissão, não é um jarro que recebe. Não é...