Quero ter presença para o sacramento de que todo instante é inédito. Ainda assim, ao refletir sobre o tempo, percebo que nada é realmente inédito, pois tudo simplesmente é. Estamos presos a um prisma limitado, onde tudo nos parece novo, mas, na verdade, o inédito é um estado latente do ser.
O sacramento do inédito está além do tempo; ele se dá nas puras afetações, onde minha presença afeta e é afetada. Eu sou a soma dessas afetações, onde cada atualização gera diferenciações que, apesar de surgirem de algo anterior, ainda se manifestam como inéditas.
Assim como nos filmes criados por inteligências artificiais, onde formas se transformam incessantemente, minha presença é uma dança constante de transformação. Nada é fixo; tudo se recria a partir de si mesmo.
O sacramento, então, é consagrar o fluxo do ser, onde cada instante é único, não porque rompe com o passado, mas porque surge continuamente de uma potencialidade sempre presente.
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