A Insuficiência da Decoerência e o Limite Epistemológico da Física Toda teoria que busca reduzir o universo ao cálculo das probabilidades e à geometria das interações enfrenta, cedo ou tarde, o mesmo abismo: o da regressão ontológica. Pois enquanto o físico observa o colapso da função de onda como um evento estatístico, produto da interação entre sistemas, o filósofo se vê diante do silêncio: o que faz ser o ser? A decoerência, apresentada como solução elegante para o problema da medição, dissolve o mistério apenas no plano da aparência: ela explica por que o observador não vê superposições, mas não por que o universo deixa de ser uma superposição. A análise cuidadosa revela que o processo de decoerência é apenas uma descrição epistemológica, e não ontológica. Ele mostra como a informação se perde, não como o Ser se atualiza. A função de onda continua existindo como possibilidade, como totalidade potencial que jamais se reduz por si mesma. O colapso, o ato de ser, permanece indecifrado...