Escrevo de um lugar onde a possibilidade não é limite — é o velho corpo de deus, varzeando acontecimento antes de qualquer forma. Não como tese, mas como incidência. Sem isso, o entendimento tende a se fechar em conceitos que operam sobre conceitos, reproduzindo-se como regime. Não é a abstração em si, mas sua autonomização que produz esse circuito — servidão a servidão, quando o operador se toma por totalidade. A diferença que abstraímos não é falsa, mas pode tornar-se autorreferente, sustentando camadas que se alimentam de sua própria consistência. Há nisso um ganho afetivo — não como prova de erro, mas como índice de estabilização. Esse movimento é difícil de perceber desde dentro, não por incapacidade, mas porque é o próprio modo de operação do regime cognitivo. O que escapa a ele não aparece como alternativa, mas frequentemente como excesso, ruído ou aquilo que, para nós, soa como magia fantasmagórica. Não se trata de recusar a cognição, mas de situá-la: há domínios em que e...