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Mostrando postagens de novembro, 2025

Brodo, Cometa, Duplo

No interior de Santa Catarina ensinaram-me o que é brodo: tudo que não se contém, reunido e fervendo. Não é forma, não é festa, não é sopa. É potência em ebulição, matéria não organizada, resto que não se reduz. O cometa atravessa o céu. Não muda de cor; meu sistema reage. O externo não atravessa. Só perturba o interno. Nada do outro é compreendido. Nada é incorporado. Cada estímulo reorganiza o que já está aqui. O duplo não é sombra, reflexo ou representação. É excesso que não se deixa reduzir, potência que atravessa e permanece incapturável. O duplo nasce do intervalo entre o estímulo e o interno, como Artaud descreve: força que explode o corpo e não se deixa domesticar. Brodo, cometa e duplo seguem a mesma lógica: campos de potência, intervalos entre forças, excesso que não se representa. Não se interpreta. Não se contempla. Se atravessa, apenas atravessa.

Verdade

É normal se sentir o cocô do cavalo do bandido, mais até, quer dizer, menos. Mesmo quando se flerta com a autopiedade, ela se revela uma piada contada por uma voz interna que já não te dirige. Você sofre com toda a verdade escancarada nas suas fuças; não há para onde fugir dessa voz. Mas você sabe muito além dela, e todo o julgamento que ela opera parece funcionar como engrenagens quebradas de um relógio que volta sempre ao mesmo segundo. A verdade se abre em fractais, e você é forçado a reconhecer verdades outras, saber de todas elas. E por isso, o julgar, que era imperativo do som interno, passa a não ser: única justificativa para dar-se em ser.