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A Iusão do Controle: Goetia e a Subversão que Não Rompe

Quando falamos sobre sistemas como a Goetia, não se trata de desvalorizar as experiências que surgem deles, nem de negar as forças que se manifestam — forças que agem de forma independente dos sistemas humanos. Essas forças estão além dos paradigmas que construímos, mas é importante lembrar que as práticas mágicas são, antes de tudo, humanas. Como tal, elas inevitavelmente refletem e propagam os paradigmas nos quais foram criadas. Sistemas como a Goetia, ao mesmo tempo em que prometem subversão, muitas vezes acabam ecoando estruturas patriarcais, perpetuando a lógica de controle e hierarquia.

Trabalhar com a Goetia é, essencialmente, fazer um cristianismo às avessas. A estrutura permanece a mesma: invocações, pactos, obediência e controle, mas invertida para parecer antagônica. No entanto, a inversão não rompe o paradigma, apenas o reforça de maneira oposta. Isso levanta a questão fundamental: "Você é servo do que te serve?" Ao buscar canalizar e dominar essas forças, ainda operamos sob a lógica da submissão e da dominação.

No processo, esquecemos que a verdadeira transformação não vem do controle, mas de uma abertura para o caos criativo e para as energias que nos conectam a tudo. O paradoxo é que, ao tentar controlar o incontrolável, nos tornamos servos daquilo que acreditamos dominar. A Goetia, como outros sistemas, nos prende à mesma lógica binária e hierárquica que buscamos superar, enquanto as forças que evocamos — que transcendem qualquer sistema — permanecem indiferentes às nossas limitações.

Por fim, tudo se resume a um jogo de forças, onde umas se sobrepõem às outras, como planetas que orbitam, cada uma exercendo uma gravidade mais potente sobre as demais. O verdadeiro poder não está em dominar o objeto ou a força, mas no acúmulo de energia que geramos, que cria uma gravidade mais intensa, capaz de atrair o que desejamos sem submeter. O empoderamento, então, é um processo de ampliação de nossa própria energia, não uma imposição sobre as forças externas, mas uma mudança que vem de dentro e transforma a relação com o mundo ao nosso redor.

Como em cima, assim também é embaixo!

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