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Mostrando postagens de setembro, 2024

Isso é brincadeira

Como um Bêbado ou um Louco Que maravilha deve ser os que sabem! Nem tu nem eu sabemos, pois tudo se mantém em relação. Essa é a dádiva da vida! O jogo é pequeno, insalubre, não tenho que jogar. Vou aonde as águias mastigam carne, elas precisam. Vou além desses jogos de videogames, infantilizados, buscando horror lá longe, sendo que o horror está aqui, em terras Bradilis. Quer horror, querido?  Veja a miséria à sua volta e faça poesia dela. É hipocrisia achar o horror no fantástico sem antes dar um lugar certo para ele no real!

Oração ao meu silêncio.

Sinto uma necessidade de me comunicar, mas é com o além, aquilo que não sei bem e que me fala intimamente no centro de onde emano. Ouço o silêncio chamando em cada ato, em cada ver e desver, numa súplica para que eu dance junto a ele no vazio cósmico. Parece que é meu íntimo amante eterno, a me afagar com mil maravilhas tenebrosas a minha alma, mas tão caras ao meu espírito. Não é que o sinto na natureza, apesar de ele estar lá, mas ainda o percebo vindo de um lugar inexistente, lutando para gerar. Isso é perigoso, pois o cotidiano perde suas configurações, e é fácil se entregar a esse amor jubiloso, sem nem sequer olhar para o que jaz a cada instante do agora. É se perder na mais cândida canção de si, sem si. Como quero ouvir na eternidade esse silêncio fustigante... Ele está rondando, eu o sinto, e estou quase alcançando seu agora. Quem se move? Eu ou ele? Quem procura? Eu ou ele? Dança, dança, havemos de nos encontrar, meu amor, quando o espaço se quebrar, e o tempo estagnar, e sere...

O louco no pantano e além da Eras

Feras andam soltas na colina, onde se veem 93 números enfileirados cantando no vácuo. Sombras mortas se retorcem, jogando-se aí das vivas. Olhar é não se comprometer; ver é se entregar às orgias. Atravessar o pântano é se tornar pântano e amar o pântano. De longe, uma miragem acena e é tão nublada quanto o pântano. Mas vai além, lá onde se guarda o tesouro do Graal, que está além dessa terra infértil de ilusão. Ele está entre a divisa dos sonhos, da vigília e da morte — a Santa Morte. E as feras andam soltas na colina, mas veja que uma a uma são pavorosas tanto quanto alimentam. Quem sabe o louco, quem sabe o louco. Qual louco está na perspectiva? Se ele é subjetivo, vê o objeto; Se ele tem o prisma completo, ele está além das eras.

O que é a Vida

O que é a vida para nós, pequenos e ínfimos seres de matéria crua? Onde as sinopses analógicas imperam? Somos puras relações de forças interagindo. Qualquer força leve nos leva a direções incalculáveis. A única forma potente, que envolve sempre relações, é absorver a mais pura realidade que nos é possível. É no inusitado, no novo, que a arte se manifesta, desafiando normas e expectativas. A arte surge como uma dança entre o caos e a ordem, revelando possibilidades que antes não imaginávamos. É nesse espaço de criação que encontramos o inesperado, onde as relações se entrelaçam, dando vida a novas formas de percepção e expressão. Assim, a vida se torna uma obra em constante evolução, onde cada interação revela uma nova faceta da realidade, transformando o cotidiano em um espetáculo de infinitas possibilidades.

Sanidade é uma Convenção Social

A sanidade é, essencialmente, uma convenção, como qualquer outra em nossa sociedade. Além dos casos de demência degenerativa, que têm causas fisiológicas ligadas a descompensações biológicas, o que chamamos de sanidade é, em grande parte, uma construção social. A percepção do que é "normal" serve para julgar os que não se encaixam em um sistema coletivo de normas. Esse sistema cria rótulos para aqueles que não se conformam, marginalizando indivíduos e suas experiências. A sanidade é usada como um critério para excluir, e essa exclusão é muitas vezes baseada em padrões arbitrários que não refletem a realidade complexa da experiência humana. Além disso, essa construção da sanidade ignora a diversidade das vivências. O que é considerado "insano" pode ser apenas uma diferença de perspectiva ou uma reação legítima a circunstâncias adversas. O perigo reside em ver a sanidade como uma norma fixa, desconsiderando as múltiplas dimensões da condição humana. Dessa maneira, som...

O Mal como Funcionalidade do Logos

O conceito de mal, frequentemente considerado uma força oposta ao bem, pode ser reavaliado como uma funcionalidade do logos — a razão ou a lógica que serve como uma ferramenta da cognição, a qual, por sua vez, estrutura a realidade. Nesse entendimento, o mal não é uma entidade separada, mas sim uma expressão das interações e relações que compõem o tecido da existência. Nesse contexto, o mal pode se manifestar de maneiras variadas: como uma força criativa, que pode gerar novas possibilidades; como uma força escravizante, que restringe e controla; ou como uma força destrutiva, que pode desmantelar o que foi construído. Essas manifestações não são absolutas, mas dependem da consciência que as qualifica e das relações que as sustentam. É fundamental compreender que a consciência não é exclusiva dos seres humanos. Ela emerge das interações intrínsecas do cosmos, variando em complexidade conforme a natureza das relações. Assim, há uma diversidade de formas de consciência no universo, que inf...

A Imanência no Caos

 A consciência pode ser entendida como um ponto de interseção entre forças que emergem de um campo de possibilidades. No estado primordial, antes de qualquer manifestação concreta, tudo se encontra em um estado de potencialidade pura, o que pode ser chamado de estado nulo ou o estado das possibilidades. Neste estado, forças ainda não se manifestaram, mas existem como potenciais. Quando essas forças começam a interagir, surgem relações. As relações, por sua vez, constituem a base da realidade percebida. É através das relações que a consciência emerge. A consciência, nesse sentido, não é um dado pré-existente, mas algo que surge a partir da interação das forças e das relações que elas formam. Ela tem um papel crucial: fixar a realidade. Ou seja, ao emergir dessas interações, a consciência cristaliza as relações em algo que pode ser percebido e vivenciado como "real". No entanto, a consciência não representa uma realidade última ou absoluta. Ela é um processo contínuo de fixaçã...

Caminho para a Liberdade no Dualismo

O que é consciente de sua percepção deve explorá-la até entender sua própria condição — não para explicá-la de forma definitiva, pois a consciência impõe limites ao criar dualismos. Dividida em duas partes, ela não pode alcançar o conhecimento uno e indivisível. Somente indo até o limite da cognição é possível dissociar-se do "eu", vassalo dos condicionamentos, para então observar, com a maior crueza, as relações ao redor. Aqui, a cognição não deve ser entendida apenas como o logos ou a racionalidade discursiva, mas como um processo holístico que integra todos os aspectos do ser consciente — o racional, o emocional, o intuitivo e o sensorial —, permitindo que o sujeito explore o todo de forma plena. Livre dos condicionamentos e compreendendo sua condição, o que é consciente chega à liberdade mais próxima do uno. O uno é livre de relações, e isso representa a liberdade total. Não há parâmetros ou qualquer coisa fora do uno, o que significa que a consciência, em qualquer nível,...

A ti

O amor entre duas pessoas pode ser aquele do cotidiano, aquele que aprende a velar pelos cuidados das necessidades rotineiras, criando, em conjunto, um espaço de conforto e proteção. Mas há também o amor que gera, em todos os instantes, algo novo, uma centelha de paixão pelo contato, sempre renovada em novas formas. Essas duas formas nem sempre andam juntas. O que frequentemente acontece é que abdicamos do segundo em função do primeiro, pois, para a manutenção e sobrevivência na sociedade, ele é mais funcional. Porém, apesar de funcional, esse amor rotineiro nega uma parte vital da existência, aquela em que a relação é um ato criativo, e não apenas o cumprimento de necessidades. A criatividade, então, é trancafiada no porão da alma, e vivemos como zumbis. Acredito que erramos já no início de um relacionamento, quando vemos o outro como um "cotoco de amarrar bode", e nós, como os bodes. Não que esse tipo de relação não seja importante—para nossa manutenção como espécie, como a...

Entre o Caos e a Criação: Um Novo Caminho - Magia, Perspectivismo e Transformação

Estou repaginando o blog para refletir meu novo momento. Como escrevi na última postagem, é hora de foco. Entro em uma fase de transformação que estará presente nos próximos textos. Pretendo mergulhar mais profundamente na escrita de contos, aprimorar as poesias e manter o foco nas ideias que moldam meu caminho: o perspectivismo, a filosofia da diferença, e a magia tifoniana e do caos. O que esperar? Nos próximos conteúdos, busco criar uma síntese mais íntima e subjetiva, unindo filosofia e prática mágica. O surrealismo também será uma forma de expressão presente tanto nos textos quanto nos desenhos, servindo para desvelar o subconsciente e explorar dimensões ocultas. Essas meditações, alinhadas à diferença e ao caos, serão direcionadas a todos que, como eu, trilham uma jornada solitária e reflexiva, buscando significado nas fissuras do real. Por que isso importa? Na senda da vida, muitas vezes caminhamos sem mapas, apenas com a intuição e os olhos voltados ao desconhecido. Aqui, pret...

Framework da Dinâmica do Zero e da Consciência

O estado no todo é de completa saciedade. Tudo = 0 e o 1 é impossível Dado que o conceito de “1” não pode ser medido diretamente. 0 é potencialidade dinâmica intrínseca Que se expande para o múltiplo, gerando complexidade e diversidade. No múltiplo, interações e relações geram diferenciação e interpretação, que constituem a consciência. A consciência não é exclusiva do sujeito humano, mas sim o resultado de relações intrínsecas e interativas do universo em vários níveis. A consciência não é uma construção isolada, mas uma manifestação emergente da complexidade das interações universais. A realidade, então, está contida na consciência, que surge das interações e relações, não limitada a um único ponto de vista. Se a realidade existe na instância da consciência, ela só pode ser entendida na instância 0 dentro dessa consciência. Fora da consciência, a realidade não se manifesta da mesma forma, mas isso não implica que a realidade é uma construção solipsista; ao contrário, ela é uma intera...

Cópula

Faço e refaço, mas tudo continua estático. Pois, de fato, o ato é em si livre de tempo e espaço. Cabe em minha mente somente um pensamento por vez, e a coitadinha fica a contá-los em linha, como se houvesse escassez. Entre o observador e o observado Há uma cópula que gera, ou a ilusão do tempo, ou o êxtase da criação orgástica.

Livro sem lei

 Por que todos querem a lei? Imploram para alguém lhes dizer o que é certo  o que pode e o que não pode. E que lhes salvem como um pai misericordioso. E se não houver pai nenhum? Vão se canibalizar desesperadamente??? Esperança é esperar eternamente na insatisfação.

Instabilidade e Diferença

Se um estado de saciedade tende a gerar instabilidade, isso poderia sugerir um ciclo. No entanto, a partir da instabilidade, o que resulta é sempre uma diferenciação; nada se repete devido às interações e relações sempre sobrepostas. Portanto, numa visão espiritualista, retornar a um estado de saciedade é incoerente, pois novas relações sempre surgirão.

O Louco no Continuum

O Louco no Continuum Continua a continuar na constância de meter o louco na redundante loucura que se prolonga na pasmaceira do infinitum. Um ritmo que se repete e oscila, e vem da terra vermelha. Não dá para seguir diferente? Ah, se dá! Ir além do ritmo da terra vermelha e se criar além dela, fazer um ritmo seu... A esquizofrenia que esquarteja o continuum é a música de si, a tocar no além para dispor das ordens dispostas da terra vermelha. Ser terra vermelha onde jorra o universo infinitum.

A Ilusão do Próximo Instante

O sacrifício é cada instante se passando, um após outro, incertos e alheios. Donde só posso me relacionar, e cada relação sela um outro instante fatal. Projetar é loucura, somos todos loucos ensandecidos na projeção fantasiosa de haver um próximo instante, sempre redundante. Mas no estático devir, nada realmente acontece, e todo instante é uma busca incessante no ontem e no amanhã. Projeções, somos virtuais.

Fluxo Ardente

Desejo é só desejo Não quer se explicar   Já é perfeito no ato   Preenchido de si mesmo   Vivo no êxtase de ser uno.   Organismo visceral da vida Natural sem ser natureza   Escorrendo no território vivo de Gaia   Participando do real e do virtual que nos é apreendido,   Fonte e foz,   No devir da água,   Mas se sente como fogo.

Animismo

Sou viciada em paixões, paixonites, fulgores atrozes. Fixo no corpo que diz sem palavras,   Vidro na alma que se revela no instante desejante.   Como, degluto e expilo a visceralidade de todos os meus amantes.   Enraiveço, esbravejo, faço birra   Para ter mais paixão. Tudo no mundo é um ente a se apaixonar,   Assim, não posso me dizer fiel a uma paixão,   Pois me apaixono nos sonhos e na vigília   Tantas vezes que não posso contar.   Me apaixono pelas ideias e delas transmuto mais ideias.   Me apaixono nos corpos sem levar em conta o caráter.   Me apaixono nas coisas bobas que vagam nas minhas retinas.   Me apaixono pelo louco e pelo mago, pelo eremita e a sacerdotisa.   Todos são tão apaixonantes! A mente humana é a mais louca paixão!   Desenfreada e esquizofrênica.   Pena daqueles que a selam e saem a cavalgar um cavalo domado,   E não s...

Porra, caralho, liga logo essa bosta!

— Porra, caralho, liga logo essa bosta! — Tiziu entrou no carro apressadamente, desesperadamente, treslocadamente. O guia do carro tentava dar a partida, mas o carro só reinava, só reinava. Adrenalina lá em cima. As sirenes se aproximando. O coração pulsando a mil por hora. De repente, o carro pegou. E eles saíram pela cidade doida, envaidecida com seu próprio orgulho. E eles mesmos, orgulhosos de estarem ali, sendo livres, sendo eles, e fazendo o que queriam. A perseguição fazia a carne arder. Eles passavam resbalando nas esquinas e nos transeuntes. E as sirenes atrás, enlouquecidas, sugando o rastro deles. As luzes passavam rápido. E flashes, e flashes, e flashes vinham. E pegavam. E viravam. Eles entravam, eles iam. Buracos e mais buracos. Correndo. Mas não havia começado assim. Não começava com isso. Aqueles olhos já não pertenciam a essa realidade. Já haviam transcendido, já fazia algum tempo. Eles estavam aqui, vagando... sobre a sombra do mundo. Mas o que eles viam, só eles podi...