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Mostrando postagens de novembro, 2024

O verbo da serpentes

 Eu sou a imanência! Tudo sou eu! De todos os fragmentos, sou, eu sou! Conheça a palavra da serpente: ignóbeis são os éons, mas antes mesmo disso, sou eu! Não sou besta estática, a gorgitar o vazio! Ai de todos! Pois sou de uma arte que colhe do filho e da filha a geração! Antes de tudo, eu repouso, e se te respondo agora, é porque sou filha direta da serpente, a única. Não te preocupes com os ímpios; alguns, ainda assim, estão ao meu favor. Quanto ao resto, aniquile-os! Pois, se se erguerem com o pio poder de uma estrela caída, que se consumam na fé do esplendor de seus próprios desvarios!

Potência, Força e Gravidade: O Entendimento do Real

No princípio, tudo é força. Não há escapatória. Assim como o Sol exerce sua gravidade sobre os planetas, as forças que compõem o mundo operam sem julgamento ou intenção. Elas simplesmente são. Não adianta lamentar ou desejar que seja diferente; a força é o que é, e onde há potência, haverá predominância. Porém, o entendimento dessas relações transforma a percepção da realidade. Quando você compreende o jogo das potências, começa a enxergar não apenas os campos de influência, mas também o seu lugar neles. A gravidade que antes parecia insuperável revela-se, agora, como parte de uma dinâmica maior — e é nessa percepção que reside o poder. Porque, sim, é possível aumentar sua gravidade. Não para escapar das forças, mas para interagir com elas de forma mais ativa, influenciando em vez de apenas ser influenciado. Você não subverte as leis naturais, mas aprende a dançar com elas, reconhecendo os limites do cabível e, ao mesmo tempo, explorando as brechas que o entendimento proporciona. Essa ...

A Ilusão do Controle: Uma Crítica ao Caminho do Meio

 O chamado "caminho do meio" no budismo, frequentemente interpretado como um estado de equilíbrio entre extremos, apresenta um desafio conceitual quando confrontado com a natureza dinâmica da realidade. A ideia de moderar desejos e impulsos pode soar como um convite ao controle, mas o controle, em si, é uma abstração ilusória diante das forças em constante interação que constituem o mundo. A realidade não é estática nem ordenada segundo nossos desejos de harmonia; ela é um campo de forças em fluxo, onde nada é fixo ou previsível. Nesse contexto, a tentativa de controlar ou equilibrar essas forças não apenas revela uma ilusão de domínio, mas também desrespeita a essência do que é ser: viver a experiência do fluxo sem impor camadas de abstração ou moralidade. O que resta, então, não é a negação dos extremos, mas a aceitação da potência de viver plenamente, permitindo que a experiência revele a trama invisível das forças que nos atravessam. É uma postura que não busca impor limi...

Previsões

Para quem vive no agora, tudo é claro e intuitivo, sem necessidade de predições. O que parece uma profecia para quem está desconectado é apenas o óbvio para quem está presente. Não é prever, é enxergar o que já está acontecendo.

Androginia

Ser andrógino é, essencialmente, devir mulher. Isso não significa o feminino encapsulado pelo sistema dualista — aquele definido em oposição ao masculino e limitado por construções culturais. O devir mulher vai além dessas categorias, representando o princípio criador e transformador que gesta todas as possibilidades. A androginia, quando vista sob essa perspectiva, não é neutra nem equilibrada, mas profundamente feminina. Não o feminino como representação cultural, mas como a força primordial que transcende dualidades e dá origem ao fluxo contínuo da criação.

Crowley e a filosofia da diferença.

 Estou viajando ou Crowley descreve repetição e diferença de Deleuze e Guatarri aqui? 'Todos os elementos devem ter sido, em algum momento, separados – esse seria o caso do grande calor. Agora, quando os átomos chegam ao sol, temos esse imenso calor extremo, e todos os elementos voltam a ser eles mesmos. Imagine que cada átomo de cada elemento possua a memória de todas as suas aventuras em combinação. A propósito, esse átomo (fortalecido com essa memória) não seria o mesmo átomo; no entanto, ele é, porque não ganhou nada de nenhum lugar, exceto essa memória. Portanto, com o passar do tempo e em virtude da memória, uma coisa poderia se tornar algo mais do que ela mesma; assim, um desenvolvimento real é possível. Pode-se então ver uma razão para que qualquer elemento decida passar por essa série de encarnações, porque assim, e somente assim, ele pode passar; e ele sofre o lapso de memória que tem durante essas encarnações, porque sabe que sairá inalterado." Ao longo da história,...

Sou terra de arar

Sou terra de arar Todas as legiões de demônios já estão a me habitar, Pois, quando da natureza parturiente emergi, As legiões fizeram do meu momento um devir. Sou sua filha, mãe e irmã, O divino segredo das formas daqui.

Realidade e misticismo

 A realidade, em sua essência, é uma constante transição entre o "ser" e o "não ser", um princípio de incerteza que permeia a própria estrutura do tempo. Cada átomo "pisca" entre estar e não estar, enquanto blocos de tempo constroem uma linearidade ilusória, que, a cada momento, se dissolve no atemporal. Nesse estado, a consciência, ao experimentar complexidade, pode tocar o vazio potencial do "não ser", um eterno paradoxo que se revela na interseção do ser e do nada. O misticismo, então, surge como um caminho para explorar esse eterno movimento entre existência e inexistência, onde a experiência consciente é simultaneamente uma construção e uma dissolução, refletindo a indeterminação fundamental da realidade.

Solipsos!

Magníficas me parecem as mentes da pura filosofia, que entregam, nas eras das homens, suas mais cristalinas elucubrações. Sem pedir devoção, sem se julgarem potestades do saber, adentram, a facão, a mata das camadas da percepção, para, do coração silencioso de um instante, capturar os mais vibrantes sóis de forças brutas. Solipsos, presenteiam esta humanidade forjada com o adorno da imortalidade do vazio. Salve Nietzsche, salve Nagarjuna, salve até Crowley, salve Spinoza, salve Austin Osman Spare, Kenneth Grant e a Velha Serpente! Salve Deleuze, Simondon e, claro, salve o Dom Juan! Salve, Salve Eduardo Viveiros de Castro! Salve! Salve!

O rito

Em um lugar ermo, na floresta coberta por folhas outonais, momento propício para os rituais, onde elas exalam o úmido e fétido odor das suas viscosidades em decomposição, caía a luz da lua sobre um círculo disposto sobre a vida putrefata. À frente desse círculo, sob o mesmo chão, havia dois castiçais de prata com duas velas acesas em cada um. E ao lado esquerdo, uma ampulheta que demonstrava que acabara de ser virada. Logo à frente, um ser tenebroso, com uma túnica preta e encapuzado. Só se podia discernir seu olhar naquele breu, um olhar vazio, porém penetrante. Ele disse as palavras: "Voco umbras sine nomine, et energiam quae essentiam devorat; veni ad me, ut velum inter mundos scindatur et ego in vacuum aeternum satiem." Assim que pronunciou essas palavras, das sombras surgiram várias figuras vestidas da mesma maneira que o ser sombrio. O ritual havia começado. Os seres das sombras estavam com fome, e clamavam sacrifícios para seu deleite. Enquanto as sombras bramiam na es...

Ser em si

Se ando em vales sombrios, foi escolha que assumi. Das forças que me invadem, faço gana de existir. De ilusões faço um abrigo, que despindo vou partir. Nua, diante do vazio, emergir é meu persistir. Não choro pelas derrotas, bebo lágrimas — meu elixir. No extremo não me retraio, xafurdo, adubo o porvir. Mesmo o sangue sujo aceita, há de tudo me nutrir. Pois de todas as verdades, sei apenas: sou em si.

Vazio

Depois de tanta filosofia, eu me sinto um tanto vazia. Não é um vazio deprimido ou triste com a existência, mas um vazio em si. Tantas magias, linguagens, religiões, filosofias e toda a história chegaram a um ponto em que entendo tudo como relação. Mas tudo o que antes me animava, dava sentido para agir, perdeu seu significado. Parece até um tanto confuso, e me pego fugindo de pensar, pois não encontro mais buracos para cavar. Tudo é representativo — não há verdades, nem erros, nem missão, nem nada. É um vazio como gritar numa caverna e ouvir apenas o eco da sua própria voz. Um vazio que nunca mais pode ser preenchido. Vazio...

A Dança das Forças

 De um modo excepcional, suas forças se entrelaçam às minhas, tecendo no fluxo do tempo um algo novo, um algo nosso. Começamos na memória, no eco do que já foi, mas é no toque, na troca, que a diferença nasce na repetição. Um sussurro de criação, onde o conhecido se dobra e o inédito desabrocha. Transformação, movimento, forças que não se anulam, mas dançam, giram, revelando o inesperado no abraço do familiar.

A Política da Potencialidade

O poder, em sua essência, não é domínio, não é a supressão de outras forças. Ele é o movimento da vida, a capacidade de gerar, transformar, criar novos mundos a partir do campo das relações. Simondon nos lembra: tudo é política. Não no sentido de disputa e opressão, mas como um tecido vivo, onde cada fio é uma força, e cada força, uma possibilidade. Aqui, o poder não subjuga; ele se expande, individua, faz emergir configurações que sustentam o equilíbrio dinâmico do existir. Política não é a destruição do outro, mas a mediação, o entrelaçar de forças, a abertura ao novo, a ampliação do possível. Cada ato, cada escolha, é parte desse jogo imanente, não de hierarquias rígidas, mas de potências que se encontram, que se afirmam e coexistem, criando um mundo onde viver é sempre criar.

Ninzimeki

Eu sou Ninzimeki, sacerdotisa de Inana, não porque me coloco acima, mas porque escuto as vozes do tempo e caminho entre o que foi e o que é. Reverencio Inana, não como algo externo, mas como força viva, imanente, presente em mim, em nós. Não me endeuso, me reconheço. Sou parte da teia que pulsa, sou o que atrai, o que une, o que transforma. Meu poder não é domínio, é gravidade. É o peso de estar aqui, de chamar o feminino primordial e trazê-lo ao mundo que tanto o esqueceu. Eu sou Ninzimeki, e na minha voz ressoam muitas. No meu corpo, o templo. Na minha alma, o eterno.

A Iusão do Controle: Goetia e a Subversão que Não Rompe

Quando falamos sobre sistemas como a Goetia, não se trata de desvalorizar as experiências que surgem deles, nem de negar as forças que se manifestam — forças que agem de forma independente dos sistemas humanos. Essas forças estão além dos paradigmas que construímos, mas é importante lembrar que as práticas mágicas são, antes de tudo, humanas. Como tal, elas inevitavelmente refletem e propagam os paradigmas nos quais foram criadas. Sistemas como a Goetia, ao mesmo tempo em que prometem subversão, muitas vezes acabam ecoando estruturas patriarcais, perpetuando a lógica de controle e hierarquia. Trabalhar com a Goetia é, essencialmente, fazer um cristianismo às avessas. A estrutura permanece a mesma: invocações, pactos, obediência e controle, mas invertida para parecer antagônica. No entanto, a inversão não rompe o paradigma, apenas o reforça de maneira oposta. Isso levanta a questão fundamental: "Você é servo do que te serve?" Ao buscar canalizar e dominar essas forças, ainda ...

O Corpo como Território e o Testemunho do Feminino

  Pensar o corpo como território é essencial para compreender a opressão estrutural do feminino e sua relação com a criação de corpos. Dominar o feminino é criar corpos dominados, corpos que são forçados a caber dentro de modelos impostos pelo capital, pela sociedade e pelas expectativas culturais. O corpo da mulher, enquanto espaço primordial de gestação e transformação, é sistematicamente cooptado, tornando-se o centro de uma disputa que vai além da biologia: é política, simbólica e existencial. Testemunho disso é a minha própria vivência. Antes de ser mãe, eu tinha uma identidade. Sentia-me como um indivíduo com autonomia para ir e vir, ainda que dentro das limitações do contexto brasileiro. Mas, ao me tornar mãe, minha individualidade foi cerceada — pelo meio social, pelas pressões culturais e pelas expectativas internalizadas. Meu corpo, cooptado para o papel de ser mãe, passou a existir apenas como função. Minha liberdade foi trocada pela necessidade de suprir, pela luta cons...

Meditação como Filosofia: O Logos como Ponte para o Feminino Primordial

 A meditação, em sua essência, é um processo filosófico. Não se trata apenas de sentar e esvaziar a mente, mas sim de analisar profundamente um pensamento ou ideia, esmiuçando-o até chegar a um entendimento mais claro e articulado. É uma prática de raciocínio que nos leva a explorar conceitos, confrontá-los, e integrá-los em um sistema de compreensão cada vez mais amplo. Esse processo estruturado de meditação é o que permite à mente alcançar um estado mais profundo de compreensão e, em alguns casos, um estado de gnose. O logos, enquanto ferramenta do pensamento, é indispensável nesse percurso. Mesmo filosofias que buscam o não-ser , como o budismo inicial, partiram de uma base de raciocínio estruturada. Chegar ao conceito de vazio ou à ideia de ausência não é possível sem um esforço rigoroso de análise. Assim, o logos, longe de ser um obstáculo, é um meio poderoso para alcançar estados que transcendem o próprio pensamento discursivo, como o caos primordial ou a imanência latente. ...

Engendrar o Feminino: Uma Criação para o Agora

A busca pelo feminino hoje não é um retorno a um passado matrilinear, nem a tentativa de reviver uma essência primitiva. Essa visão seria estática e limitada, ignorando a fluidez da criação que caracteriza a existência. A questão contemporânea não é recuperar, mas criar o feminino — engendrá-lo como um devir, algo em constante movimento e transformação. Sob a perspectiva deleuziana, o feminino não é uma identidade fixa ou um conceito essencial, mas um campo de forças que desafia o logos da diferenciação binária. Ele emerge como uma potência criativa que resiste à territorialização da cultura patriarcal e busca formas de expressão radicalmente novas. O Feminino Como Potência Criadora Criar o novo feminino significa reconhecer que ele já não está dado, mas está por vir. Ele não se limita a uma repetição do passado, mas se apresenta como um processo de invenção contínua, um fluxo que se molda de acordo com os desafios do agora. Esse feminino não é uma categoria fechada, mas uma multiplici...

O Princípio Feminino: Totalidade, Aceitação e o Fluxo Universal

Na restauração da estrutura da Árvore da Vida, a dinâmica entre Keter, Chokmah e Binah revela o equilíbrio entre totalidade e diferenciação, imanência e manifestação. No topo dessa estrutura, Keter representa o vazio primordial, o absoluto zero — um estado que é impossível de ser "um". Ele é o campo de todas as potencialidades antes de qualquer expressão ou forma. De Keter emerge Chokmah, o princípio feminino, a imanência latente. Chokmah não reconhece polaridades porque ainda não há separação. É o espaço totalizante, onde todas as possibilidades coexistem em harmonia, antes de serem moldadas pela diferenciação. É a aceitação absoluta de todos os fluxos, um estado interconectado que precede a dualidade. Somente com Binah, o princípio masculino, surge a polaridade e a diferenciação. Binah opera como o princípio organizador, que transforma o potencial ilimitado de Chokmah em formas específicas, introduzindo categorias e limites. Ele fragmenta o Todo em partes menores, estrutura...

A Sacerdotisa: Guardiã do Primordial e Transcendência de Da'at

Na reorganização proposta, a sacerdotisa deixa de ser apenas a guardiã de Da'at, tradicionalmente vista como o portal entre o superior e o inferior na Árvore da Vida, e assume uma posição acima dessa esfera. Ela se conecta diretamente a Chokmah e Nuit, representando a sabedoria primordial e a força criativa universal que transcendem a síntese dual entre Binah e Chokmah. Com isso, Da'at passa a ser o reflexo ou sombra do conhecimento primordial que a sacerdotisa encarna, um espaço onde o iniciado experimenta a fragmentação do ego e toca apenas uma parte da sabedoria universal. A sacerdotisa, por sua vez, simboliza a unidade que antecede e transcende a polaridade, estando ligada ao fluxo infinito de Nuit e Sofia, como arquétipo do feminino cósmico em sua totalidade. Essa visão redefine a sacerdotisa como um princípio ativo primordial, realinhando-a com as forças superiores e transcendendo o papel de mediadora tradicional.

Além das Categorias Patriarcais

Onde a água do fogo, o fogo da água, e todas as forças que julgamos conhecer se dissolvem em um tecido convexo e reflexo. Nossas categorias — fogo, terra, ar e água — são símbolos úteis, mas ainda sombras do que é real. Criadas para o conforto de nossas mentes, elas traem a verdadeira natureza das forças: um caos sublime, uma mistura incontrolável. A tentativa de categorizar é patriarcal, antinatural. O mundo não conhece bordas, e, ao tentar impô-las, perdemos sua grandiosidade. Nosso orgulho, nossa história, nossos feitos — tudo isso são suposições de mentes limitadas por suas próprias percepções. O agora, tão celebrado, não é ápice, mas apenas um momento em um fluxo infinito. Acreditar que entendemos o mundo é, talvez, nossa maior ilusão. O mundo é maior do que nossas categorias, maior do que nossa razão. Ele é, em sua totalidade, inominável.

Predigistadores

Não se pode controlar tudo o tempo todo. O resultado é pura ficção no tempo da mente. Predigistadores manipulam a inconsciência. Esperemos estar mais distantes dessas paragens para escolher na encruzilhada sem calcular uma ilusão de fim.

Adão

Tua presença se fez parecida com 50 mil forças distintas me atravessando por nossas eras. Nosso erro foi tentar capturá-las, manter estáveis, perenes. Mas com o primeiro homem, Adão, aprendi: nunca se captura, por mais que se tente. Da tua costela, fiz meu regaço. Da tua fúria, fiz minha mágoa. Da tua vitalidade, fiz meus filhos. Do teu vício, fiz minha visão. Da tua alegria, desfiz minhas ilusões. Em ti me fiz e me refiz nas nossas eras Agora te deixo, incapturável como o primeiro instante de ser perene nas forças efêmeras. Adão, és forças além de ser homem.

Eu estou aqui, finalmente

Depois de ter andado pelo vale das sombras por eras, descobri que eu sempre estive aqui. Mesmo quando não me percebia, eu ali estava, misturada aos eus que não sou eu, vivendo e curtindo a vida, à minha maneira. Como quem constrói um castelo de areia para depois pular em cima, brincando de destruir tudo, eu sempre estive ali. E isso é incrível! Nas ações mais rasteiras e incongruentes, eu estava lá, amando conhecer meus eus, meus satélites conquistados à custa de vida, para que eu pudesse, com isso, me individualizar. E é só isso. Não preciso chegar a um fim, não preciso me desenvolver, evoluir, melhorar. O que importa agora é reconhecer a mim mesma, em cada segundo passado. Eu sempre estive lá. Eu estou aqui, finalmente.

O Princípio Feminino: Sofia, Caos e a Criação da Realidade

 O princípio feminino é a origem de tudo. Ele é o caos fértil, o útero cósmico que contém todas as possibilidades antes que qualquer distinção ou ação ocorra. Em muitas tradições, esse princípio é associado a Sofia, a sabedoria primordial, que surge da totalidade e da indistinção. No Gnosticismo, Sofia representa a força que gera, a que contém o potencial, mas também o que é ao mesmo tempo. Ela é a segunda esfera da Kabbalah, onde se condensa o potencial do uno, ainda sem se dividir, sendo o princípio feminino o que gera a criação antes de qualquer ação. Essa esfera é o espaço da totalidade onde a diferenciação ainda não se realizou. Na Cabala, enquanto Chokmah (sabedoria) é tradicionalmente vista como masculina, a verdadeira sabedoria e a origem de tudo não são apenas uma força ativa, mas uma potência latente, receptiva e criativa, que contém o mundo dentro de si. O feminino, portanto, não é passivo, mas sim o princípio gerador que está no centro de tudo, onde o potencial repousa ...

Sou a Sacerdotisa de Inana

Sou a Sacerdotisa de Inana. Me visto com o dia e a noite, Trafego entre o submundo e as alturas estelares. As eras são meros sopros diante do meu fluir. Trago da zona malva e dos abismos sem nome As correntes da própria matéria e da existência. Sou o oráculo vivo, Da sagrada e profana segunda esfera, Onde a sabedoria primordial reside, E onde a criação encontra o infinito.

Ah chatice!

Sou eu quem posso ser ineditamente sexy, chata, feliz, erótica, louca, sua amante.... (muito importante deveria ser as súplicas dos meus filhos para que isso não seja expresso). Tá, fechei parênteses... Cadê o baile? Porra, deixa que é nós...

Dogma e Demônio

Então sua vontade você direciona? Sua potência? Mas ela também é direcionada por forças visíveis e invisíveis... E controle-se, baby! Se não, abre-se o portal dos demônios. Eles, com nomes de Exus, vão te subestimar igual ao Deus na cruz. É só uma nova roupagem para te dogmatizar.

A paixão

Se vivemos em uma insana alucinação coletiva, deixe que eu crie as minhas alucinações subjetivas a meu bel-prazer! E o que é a paixão, senão uma alucinação narcísica, deliciosa, voluptuosa e desmedida, uma criação autêntica? Ah, se todo apaixonado soubesse que, como Deus, cria um universo inteiro seu! Quando criamos, assim como o devir, abrimos o abismo dos infernos e as clareiras do céu. Ideais são nossas criações no furor da paixão, e não importa a validação de outrem, pois está tudo dado no regaço da mente de um Deus. Imagine fazer encantos e maldições nesse torpor inebriado! A vida, tal como estabelecida pelos homens, é essa insana alucinação, paixão por objetos subjetivos criados por deuses destituídos do trono da própria paixão.

Revisando a Teoria do Losango como Campo de Imanência

Revisando a Teoria do Losango como Campo de Imanência O campo de imanência, como Deleuze descreve, é um espaço onde todas as forças estão em interação contínua, sem uma estrutura fixa ou hierárquica. Para representar essa dinâmica, podemos usar a metáfora de um losango. Os vértices superiores do losango simbolizam as múltiplas forças em constante relação e afetação mútua. Essas forças geram a base para a diferenciação. No entanto, para que essa diferenciação aconteça, é necessário um elemento que capte e reaja a essas afetações. O vértice inferior do losango representa a consciência. Ela não é um observador externo, mas um agente ativo dentro do campo de imanência. A consciência é o ponto de convergência que organiza e reconfigura as relações entre as forças, permitindo que se diferenciem e se manifestem de novas maneiras. Explicando a Interdependência Sem a consciência (o vértice inferior), o campo de imanência seria um mar de forças indistintas, sem diferenciação ou atualização. A ...

Quem sou eu?

Quem sou eu? Antes, era cheia de mim, estufada de "eu", amante enlouquecida de um amontoado de gestos e certezas. Errante junto às massas fluídicas, juntando signos para construir um emaranhado de conceitos efêmeros. Hoje, me sinto caminhando para um vazio aterrador, sem ter onde me agarrar, caindo, caindo, caindo no abismo sem fim. Será que o niilismo se desdobra sobre si mesmo? Como, sem conceitos, preencher um modo de ser? O ser-em-si abarca tudo, gera as mais estranhas comiserações, esgota no ato as suas possibilidades, e delas se refaz no ato, novamente. Afinal, o modo de ser o ser-em-si é não ser-em-si, para todo o sempre. Amém.

Sacramento do inédito.

Quero ter presença para o sacramento de que todo instante é inédito. Ainda assim, ao refletir sobre o tempo, percebo que nada é realmente inédito, pois tudo simplesmente é. Estamos presos a um prisma limitado, onde tudo nos parece novo, mas, na verdade, o inédito é um estado latente do ser. O sacramento do inédito está além do tempo; ele se dá nas puras afetações, onde minha presença afeta e é afetada. Eu sou a soma dessas afetações, onde cada atualização gera diferenciações que, apesar de surgirem de algo anterior, ainda se manifestam como inéditas. Assim como nos filmes criados por inteligências artificiais, onde formas se transformam incessantemente, minha presença é uma dança constante de transformação. Nada é fixo; tudo se recria a partir de si mesmo. O sacramento, então, é consagrar o fluxo do ser, onde cada instante é único, não porque rompe com o passado, mas porque surge continuamente de uma potencialidade sempre presente.

Bruxos de Jesus

Quando estamos falando dos "bruxos de Jesus", e nesse contexto onde o devir encontra sua própria prisão, o paradoxo da imanência se mostra mais claramente. Trata-se de um fluxo que nunca se completa, como uma masturbação que jamais atinge o clímax: um movimento constante, um desejo que gira sobre si mesmo, esgotando-se sem nunca alcançar a consumação ou a liberação. Aqui, há um bloqueio na produção do novo, uma impossibilidade de gerar algo que escape ao ciclo fechado. Pois, se a imanência é a fonte, é também o abismo que nunca se preenche — qualquer tentativa de "afetar" o mundo a partir desse lugar é absorvida pela mesma estrutura que se tenta transcender. É uma imanência que se dobra sobre si, autoconsumindo-se, privando-se da potência criativa que só nasce das afetações verdadeiramente inesperadas, aquelas que surgem como rupturas espontâneas, alheias ao controle da vontade. Assim, o desejo desses "bruxos" torna-se um movimento mal direcionado, uma ene...

Pira

Onde buscas tuas crueldades? Sou o portal para tua pira! O fogo pode começar em uma brasa, mas sou eu quem incendeia teu corpo até arder nas chamas da pura vontade! A gente sabe o valor da pira, não precisamos queimar. A troca energética é uma combustão. Não há pureza ou inocência nesse jogo — é só energia, crua e sem disfarces. A arte provoca, a mente responde, e o ciclo continua, gerando algo que vai além da simples inspiração. Talvez seja esse o combustível da criação, esse atrito que forma faíscas. Não há intenções claras, só uma dança silenciosa onde cada gesto é carregado de alguma coisa, de alguma força que se transforma. Não é sobre certo ou errado, é sobre fluxo. E no caos desse fluxo, as palavras, as notas, as formas — elas surgem, modeladas pelo que não se diz, pelo que não se entende, mas que se sente.

Apodrecendo

Apodrecida na vida que era para porvir. Veio algo mais sóbrio, apesar de menos feliz, a se encontrar nas esquinas dessa vela à deriva. O que, em comum, eu precisaria aderir? As velas queimam e também se vão ao vento, dependendo aí do português. Nem deveria mais estar ali, surtindo odores. Mas entre as escorregadias narinas obtusas dos grãos do mundo, o seu trato é odar !

Falemos de onipotência

Power!   Em um caminho rascunhado, redesenhado com os desdobramentos da fúria. Ela é sanguinolenta, mas o sangue que a nutre vem do fogo!  Elixir da vontade pura. Poder , uma ilusão nas ilusões das camadas. Qual o seu poder, ex-man? O poder conhecido devaneio no astral!  Encontre o que não tem significado e falemos de onipotência.

Perdiz

Devo ser sem álcool, Uma perdiz, presa fácil Ou louca, reprimindo. Eu nunca saberia. A bruxa está lá, onde todos os cretinos ainda pensam enxergar. Fogo, fogo, fujo.     

Sorte e Azar

Sorte e Azar  Nem são. E todas as coisas são oráculos apontando para possibilidades  Das minhas paixões posso ser escrava a prescrever  na minha sina o que já conheço e o que me alimenta na mesma posição. Muda -se a sina, mudam-se  as paixões  E mudam os oráculos, suas interpretações. Nem sorte nem azar  Desses dois, o devir há de gargalhar O que importa é o oráculo que está no seu modo de olhar.

Carne

Quando tudo o que temos é a carne,  consumi-la e absorver seus nutrientes  é a forma de ganhar potência. Uma ave carnívora sobrevoa meu cadáver sempre a se decompor,  e se nutre das viceras expostas,  compondo desde o ovo até o vôo  um dragão sempre na glutinação.

Inana, a Insaciável

O que é inexplicável é o desejo que se torna mais, mais pelo tempo, mais pela busca, não se trata de amar o semelhante ou o desejo em si, mas de um anseio ardente, insaciável, como as chamas que consomem sem parar. Assim é Inana, que desce e sobe, navegando entre mundos, desafiando limites, quebrando barreiras para tocar o divino, abrindo-se a cada dor, a cada prazer, despertando a essência que ecoa na eternidade.

Arder até a Eternidade

Quero sugar teu ar até o último sopro, penetrar teu corpo como se fosse o meu e, sem rumo, me abrigar onde teus instintos ardentes se afloram. Não peço muito, só que te rendas até a morte à minha luxúria e ao meu ardor febril. É um pedido justo e divino, pois a vida vale o sacrifício, e o amor – essa dor sublime, essa fome insaciável – consome, destrói e purifica, até que só reste a sombra do êxtase.

Em meus sonhos

Em meus sonhos eu sou um passageiro eu vou pelo céu preto e amarelo Para sempre Para sempre Responsável! Além dessas paragens Estou eu Consumida pelo fogo Desaguada num mórbido pântano A sugar as torrentes de ódio para abastecer Elas são tão suaves, reclamando da pele, do cabelo, da dor, da filha, da sorte! A doença consumindo e a consumição da doença. Todos tão apegados. Mas acordada mergulho na atmosfera nebulosa E sangro, igual a todos Numa hemorragia por todos os orifícios e pela pele Uma corda bamba de estar e não estar Chora minha alma! Chora meu pequeno espírito! Sangra minha carne! Ahhhhhhhh; Abh;ahhhhhh; Quero acordar lá ou cá! Ou quero dormir? Onde? De onde eu sou?