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Mostrando postagens de abril, 2026

Carnear

O pecado não é apenas a concupiscência, a vaidade e o orgulho — todos são meros adjetivos para a falta. A falta é apregoada nos clamores em transe ou nas mais profundas elucubrações sobre o que quer que seja. Súplicas sempre vão dar em um estado que não convirja com o agora. Seja na obstinação dos shakers ou no domínio dos revezes com os quatro verbos do mago, a falta é o pecado. Ela é que te mantém submisso a um tribunal de suficiência inatingível, você — podre moral, mortal. Tua insuficiência provém do teu estado de morte, morte em vida, morte em cada suspiro, a cada célula que te abandona. Veja que, se assim for, sua própria constituição é o pecado. O conceito foi gerado do que se faz a cada instante encarnado. Não há referência para a carne a não ser haver-se enquanto carne — carnear, esse é o estado do pecado. Quer se libertar? Oh, saco de entranhas entrelaçadas, como se libertar da própria constituição? Antes de haver o logos há a carne. Esse é o Deus do Pecado, e é seu Deus prim...

Todo dia

Hoje há uma coisa, coisa, pois não consigo descrever. Há uma presença, um algo etéreamente concreto se espalhando e movimentando motores, gerando colapsos e prazeres. Perceba: há, no haver, algo que quase nunca se dispõe, mas que sempre se compoem, como isso, rima facil. Isso ronda agora, sem chegar, sem sair. Há clamores, o verbo que constrói verdades! Há silencio, o verbo que  diz assim seja! Há tudo isso, e eu pequena no meu avesso  vejo os sonhos nitidos dos que se dizem eu! Não se anuncia, não se impõe, apenas insiste. E nessa ronda há, no haver, o que não se dispõe. Nessas horas, dessas décadas a cravar, a gente mesmo se atualiza, mas a ronda é feroz — tacanhos algozes. Quem tem olho para ver?

Filosofia do Irredutível

Não se trata de escolher um fundamento. Trata-se de negar tudo o que tenta ocupar esse lugar até que reste apenas o que não cede. Não é a negação como recusa. É a negação como operação. Linguagem não escapa. Se se diz que é limite da linguagem, ainda assim se diz. Silêncio não escapa. Se se apela ao silêncio, ele comparece. Indizível não escapa. Se se invoca o indizível, ele insiste como limite. Nada disso suspende. Nada disso retira o problema. Tudo isso já está no haver. Não para uma mente. Não para um sujeito que percebe. Para que haja qualquer mundo. Não há um “para quem” anterior a isso. Então não é questão de dizer melhor. É questão de não poder evitar. Há. Não como coisa. Não como ente. Não como conceito que se sustenta por si. Mas como impossibilidade de não haver. Tentar negar isso não falha. Não chega a se sustentar como tentativa. Porque a negação já opera no haver. E essa impossibilidade não é inerte. Ela não permanece muda sem consequência. Não se sustenta um haver absolut...