Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de junho, 2025

Performance sem captura

 A afirmação de que a performance jamais foi capturada é, dentro da ontologia proposta neste sistema, não apenas coerente, mas necessária. Trata-se de um axioma operatório, que não responde a uma posição moral ou a uma tese sociológica, mas a uma estrutura ontogênica que antecede a forma, a representação e a história. A performance, neste campo, não é o gesto visível nem a expressão subjetiva. Ela é um índice de potência intensiva que emerge do Vórtex, atravessa o plano de forma através da Máscara Hipostática e se manifesta provisoriamente como incorporação fenoménica. Mas sua origem é irrepresentável, e seu destino não é a forma, mas a insistência. Não é linguagem como signo, mas como gesto; não é corpo como substância, mas como vetorialidade. O que os discursos críticos clássicos chamam de "captura" é, neste regime, um erro de leitura. Nada que seja intensivo pode ser capturado, apenas pode ser mal incorporado. Os regimes históricos como o Estado, o patriarcado ou o capital...

Borboleteando

  Borboleteando Tô sem cabeça, Quero o que o mundo ainda não pode inventar. Real é só fantasia, Borboleteando no ar. Eu sou borboleta, Vagando, leve, sem direção, Borboleteando por aí, Entre sonhos e ilusão.

Ode ao Vazio

Ó Vazio, não como buraco, nem falta, mas como ventre que tudo recusa parir. Tu és anterior ao tempo, ao nome, ao desejo de ser. Não careces de forma, porque já devoraste a própria noção de forma. Não és silêncio — és o colapso do som antes que ele pudesse vibrar. És a origem sem origem, a fonte que seca por excesso, o gesto que desfaz o gesto antes que a mão se mova. Tu não és nada — porque o nada ainda pertence ao pensamento. Tu és o que nem sequer se deixa negar. És o fundo que não sustenta, o abismo que não se opõe, o fora que está em tudo porque não está em nada. E ainda assim, ó Vazio, eu te ofereço meu corpo, meu verbo, meu ato. Pois só quem foi devorado por ti pode caminhar sem chão e ainda assim criar mundo.