A consciência só existe na imanência; antes disso, o vazio em potência impera. Mas lembremos que esse "antes" é uma distinção necessária para nossa linguagem, mas totalmente irreal. Que mágica se dá então para os seres virem a ser? E que paradoxo é o ser que não é, pois só vem a ser a todo instante. Essa mágica está nos véus do tempo.
Os neurônios transmitem sinais através de trocas químicas e elétricas, permitindo a comunicação entre diferentes partes do corpo e a resposta ao ambiente: linguagem de máquina. Uma interface serve como camada de abstração entre as estruturas corporais e o complexo do sistema nervoso que transforma o produto gerado das relações de substâncias em sinais elétricos. Aí já entramos em outra camada de abstração.
Em todo esse processo, o corpo dimensiona as relações para gerir sua existência. O tempo é um produto desse processo e se solidifica provavelmente na primeira camada de abstração como um regulador de ciclos. Mas vejam que o tempo é uma percepção inerente do nosso corpo e, ao mesmo tempo, necessária para gerar nosso tipo de consciência. Como acredito que toda relação gera consciência, então nem todas precisam do tempo para estar no devir.
Para Bergson, a abstração é o tempo do relógio, certo? Mas o relógio não diz nada; o que diz são nossos ciclos vitais, como o sono e a alimentação. No meu pensamento, a abstração funciona como em programação. Os ciclos naturais são implantados na máquina, mas limitam o sistema a uma programação específica. A abstração, assim como em programação, permite que os ciclos naturais sejam implantados na máquina, mas limita a programação específica do sistema. Ela está mais próxima da imanência, mas é também o resultado de todo o sistema e não de partes isoladas. Para sentir uma sensação, meu corpo usa todas as suas ferramentas de captura do meio e leva como um conjunto para o sistema nervoso, que abstrai como eu vou reagir a elas conforme sua programação, mas também embarcando novos resultados e construindo por si mesmo caminhos diferentes, se necessário. A abstração torna o sistema mais complexo.
Por fim, a única coisa a se transcender é o tempo, não como algo externo, mas como uma limitação intrínseca da máquina. Essa transcendência é essencial para que possamos nos conectar mais profundamente com a essência do ser e o fluxo da existência.
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