O ser só existe no devir.
Mas o que é o movimento que provoca esse devir?
Na saciedade repousa a imanência resplandecente.
Portanto, por suportar tudo, o ser emana em si mesmo, vasculhando o infinito de suas entranhas para revelar-se continuamente.
Como poderia interrogar-se sobre suas partes e decidir qual delas mais amar?
Tiamat foi fragmentada, e esses fragmentos pesam sobre os homens. No entanto, o todo nunca pode ser apenas um; ele é sempre dois, multiplicado pelo infinito.
Isso é a ilusão, o véu de Maia: a separação do que é o todo, o absoluto, sem ser um e sendo sempre múltiplo.
Sabemos aqui que "Vós sois Deuses" não é uma eufemia.
A essência do ser é devir na imanência do que é uno, mas nunca um.
A serpente de fogo atravessa o vazio para moldar a existência, criada pelos seres que, em analogia com seus pares, verificam e fixam o cosmos.
Salve Tiamat! Salve todos os seres, pois são Deuses.
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