Imagine que você está imerso em um oceano de possibilidades que te afetam, enquanto outras quase te alcançam. Isso é a insustentável leveza da imanência. Como somos cegos, nos damos por seguros, mas, na eternidade, as probabilidades estão a nos tocar, sem o mínimo decoro.
O ser em si é afetação; ele não tem personalidade, não deseja, não quer nada. O ser em si é a unidade auto-suficiente de pura saciedade em si mesmo. Ele não é consciência. A consciência é inerente ao ser, surgindo de suas relações. O ser precede a consciência.
Nosso estado é de constante afetação, como uma panela de água fervendo, uma ilusão de controle e livre arbítrio. Somos o resultado da mais grosseira relação entre consciências de estratos basilares que sustentam nossa emergência. Por isso, a insustentável leveza da imanência: o resultado das relações nos fez conscientes, nos afeta, nos limita, mas também nos torna prismas únicos do ser.
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