Sou uma miserável insignificante,
Eu nem sou.
Algo pode ser em mim;
Às vezes parece que esse algo está aqui,
Mas de repente vejo que sou eu mesma,
A insignificância toda torta se achando.
E como é cruel ver minha própria impotência,
Explícita nas arrogâncias e ressentimentos construídos,
Por castelos de cartas me dados.
Eu sou, então, esse amontoado de cartas marcadas?
Cadê minha potência?
Além da mulher, está o algo que realmente é
E que se perde no jogo do tarô estrutural,
Quem sabe por não saber jogar, ou não querer, às vezes.
Mas todas as análises vão encontrar alguma ferida,
Algo a ser superado. Uma dor escondida,
Um recalque edipiano ou uma moral ainda não alcançada.
Ainda assim, mesmo sendo esse ser miserável e insignificante,
Penso que esse algo já está aqui;
Só falta eu me despir.
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