A ética humana cabe somente à esfera da percepção humana. Ela é válida para nossa convivência, mas é unilateral e necessariamente proporcional à nossa esfera de percepção, o que significa que precisa sempre de ampliação e ajustes. Ela reflete apenas a parte da realidade que podemos verificar com nossos sentidos.
Imagine uma consciência que, para perceber o campo de imanência, possua outros "aparelhos", biológicos ou não, e cuja síntese da dualidade do mundo manifesto seja completamente diferente da nossa. E, para complicar ainda mais, devemos lembrar que a realidade é fixada pelas consciências, então, de alguma forma, essa outra consciência afeta a realidade da nossa.
Essa visão faz desmoronar todos os paradigmas culturais, incluindo religiões, ideais, ciência, esoterismo, e tudo mais. É evidente que, como humanidade, não estamos prontos para esse entendimento e para romper de forma definitiva com esse paradigma. Apenas algumas mentes conseguem realmente vislumbrar que o que criamos é virtual e que o real, de fato, está além dos nossos sentidos.
Com base nessa conclusão, qualquer forma de humanismo romântico torna-se insalubre, pois não se apoia em perspectivas que se entrelaçam, mas em paradigmas fixos — virtuais — e, portanto, não enraizados na verdadeira identidade do campo de imanência, que é a relação necessária para gerar a consciência que, por sua vez, gera a realidade.
Esses paradigmas são fixos, sem relação, não interagem entre si. Isso é uma negação do real, que, em sua essência, é relação. Como Parmênides já disse: "não há o não-ser."
Não sei bem se é a priori ou se é uma premissa, mas parece que as relações intrínsecas do campo de imanência são a verdadeira lei, e, portanto, a ética aplicada na realidade.
Meu interesse está em sair do lugar-comum da percepção, reconhecendo que o que tratamos como real é apenas um prisma de algo maior. As relações não se limitam a interações humanas; somos afetados por extratos de consciência que muitas vezes nem percebemos. A abertura para esse entendimento expande nossas relações além do humano, e o animismo se torna uma ferramenta valiosa para o diálogo entre diferentes consciências.
No campo da pura possibilidade, nada é fixo; tudo está em constante devir. Sua tendência é manter relações entre possibilidades. Não há um propósito além desse, nem preferências; tudo é relação em devir e tudo é. Optar é negar o potencial e tentar anular o ser, de modo que qualquer sacrifício se torna uma forma de negação. O ser sempre é. Poderíamos inventar uma nova religião baseada na não negação do ser, se religião não fosse uma negação..
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