A sanidade é, essencialmente, uma convenção, como qualquer outra em nossa sociedade. Além dos casos de demência degenerativa, que têm causas fisiológicas ligadas a descompensações biológicas, o que chamamos de sanidade é, em grande parte, uma construção social. A percepção do que é "normal" serve para julgar os que não se encaixam em um sistema coletivo de normas.
Esse sistema cria rótulos para aqueles que não se conformam, marginalizando indivíduos e suas experiências. A sanidade é usada como um critério para excluir, e essa exclusão é muitas vezes baseada em padrões arbitrários que não refletem a realidade complexa da experiência humana.
Além disso, essa construção da sanidade ignora a diversidade das vivências. O que é considerado "insano" pode ser apenas uma diferença de perspectiva ou uma reação legítima a circunstâncias adversas. O perigo reside em ver a sanidade como uma norma fixa, desconsiderando as múltiplas dimensões da condição humana.
Dessa maneira, somos levados a acreditar que existem respostas claras para questões complexas, quando, na verdade, as nuances são frequentemente ignoradas. Em vez de enfrentar a riqueza das experiências humanas, preferimos rotular e isolar, perpetuando um ciclo de exclusão.
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