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Animismo

Sou viciada em paixões, paixonites, fulgores atrozes.


Fixo no corpo que diz sem palavras,  

Vidro na alma que se revela no instante desejante.  

Como, degluto e expilo a visceralidade de todos os meus amantes.  

Enraiveço, esbravejo, faço birra  

Para ter mais paixão.


Tudo no mundo é um ente a se apaixonar,  

Assim, não posso me dizer fiel a uma paixão,  

Pois me apaixono nos sonhos e na vigília  

Tantas vezes que não posso contar.  

Me apaixono pelas ideias e delas transmuto mais ideias.  

Me apaixono nos corpos sem levar em conta o caráter.  

Me apaixono nas coisas bobas que vagam nas minhas retinas.  

Me apaixono pelo louco e pelo mago, pelo eremita e a sacerdotisa.  

Todos são tão apaixonantes!


A mente humana é a mais louca paixão!  

Desenfreada e esquizofrênica.  

Pena daqueles que a selam e saem a cavalgar um cavalo domado,  

E não sabem como o chucro alazão é muito mais vivo a correr entre os mundos  

Sem ser de nenhum.


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