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Caminho para a Liberdade no Dualismo

O que é consciente de sua percepção deve explorá-la até entender sua própria condição — não para explicá-la de forma definitiva, pois a consciência impõe limites ao criar dualismos. Dividida em duas partes, ela não pode alcançar o conhecimento uno e indivisível. Somente indo até o limite da cognição é possível dissociar-se do "eu", vassalo dos condicionamentos, para então observar, com a maior crueza, as relações ao redor.

Aqui, a cognição não deve ser entendida apenas como o logos ou a racionalidade discursiva, mas como um processo holístico que integra todos os aspectos do ser consciente — o racional, o emocional, o intuitivo e o sensorial —, permitindo que o sujeito explore o todo de forma plena.

Livre dos condicionamentos e compreendendo sua condição, o que é consciente chega à liberdade mais próxima do uno. O uno é livre de relações, e isso representa a liberdade total. Não há parâmetros ou qualquer coisa fora do uno, o que significa que a consciência, em qualquer nível, marca o início do dualismo e do condicionamento da existência. Até o momento, esse é o limite ao qual minha cognição chegou.

Com esse entendimento, fica claro para mim que não é possível alcançar o uno e ainda existir. Gostaria de entender como magos negros poderiam lidar com isso.

Também penso que, se há algo além, esse algo não é consciência. Isso levanta a questão: o que pode existir além da consciência, gerada pelas relações intrincadas do cosmos? Parece que paramos onde a dualidade termina.

Apesar dessas divagações, que são profundas para minha subjetividade, mas podem parecer especulativas para outras, o ponto importante nisso tudo é a exploração de cada ser consciente, levando sua cognição ao máximo. Para mim, essa deveria ser a tarefa do aeon de Hórus, como uma criança explorando o que há para ser percebido, sem pudores ou ressentimentos.

Não importa onde se vai chegar — pode ser que não se chegue a lugar algum —, mas a liberdade possível está no processo de cognição, na exploração máxima dessa realidade, simultaneamente simulada por tudo o que percebemos e que também nos percebe. É esse processo que pode libertar bestas da bestialidade, animais do condicionamento fisiológico e homens de bem das limitações impostas pela cultura e pela linguagem.

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