Sinto uma necessidade de me comunicar,
mas é com o além,
aquilo que não sei bem
e que me fala intimamente no centro de onde emano.
Ouço o silêncio chamando em cada ato,
em cada ver e desver,
numa súplica para que eu dance junto a ele
no vazio cósmico.
Parece que é meu íntimo amante eterno,
a me afagar com mil maravilhas tenebrosas a minha alma,
mas tão caras ao meu espírito.
Não é que o sinto na natureza, apesar de ele estar lá,
mas ainda o percebo vindo de um lugar inexistente,
lutando para gerar.
Isso é perigoso, pois o cotidiano perde suas configurações,
e é fácil se entregar a esse amor jubiloso,
sem nem sequer olhar
para o que jaz a cada instante do agora.
É se perder na mais cândida canção de si,
sem si.
Como quero ouvir na eternidade esse silêncio fustigante...
Ele está rondando, eu o sinto, e estou quase alcançando seu agora.
Quem se move? Eu ou ele?
Quem procura? Eu ou ele?
Dança, dança, havemos de nos encontrar, meu amor,
quando o espaço se quebrar,
e o tempo estagnar,
e seremos um no uno, tu e eu.
Enquanto ouço suas silenciosas súplicas,
me alegro com a certeza do findar dos aeons
em nosso gozo nupcial.
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