A consciência pode ser entendida como um ponto de interseção entre forças que emergem de um campo de possibilidades. No estado primordial, antes de qualquer manifestação concreta, tudo se encontra em um estado de potencialidade pura, o que pode ser chamado de estado nulo ou o estado das possibilidades. Neste estado, forças ainda não se manifestaram, mas existem como potenciais.
Quando essas forças começam a interagir, surgem relações. As relações, por sua vez, constituem a base da realidade percebida. É através das relações que a consciência emerge. A consciência, nesse sentido, não é um dado pré-existente, mas algo que surge a partir da interação das forças e das relações que elas formam. Ela tem um papel crucial: fixar a realidade. Ou seja, ao emergir dessas interações, a consciência cristaliza as relações em algo que pode ser percebido e vivenciado como "real".
No entanto, a consciência não representa uma realidade última ou absoluta. Ela é um processo contínuo de fixação e percepção, que sempre depende das relações que estão em jogo no campo de possibilidades. Assim, a realidade não é algo fixo, mas está constantemente sendo criada e recriada conforme as forças interagem e geram novas relações.
Esse entendimento difere da visão de pensadores que tratam o caos como algo separado da realidade existente. Ao invés de um caos transcendente, anterior e distante da realidade, o caos é visto como imanente, como o campo onde todas as possibilidades estão presentes e no qual estamos imersos. A realidade que percebemos é apenas uma organização temporária das forças que emergem desse caos, e a consciência é o meio pelo qual essas forças são fixadas de maneira perceptível.
Essa abordagem se distancia das tradições filosóficas que operam sob uma divisão entre o caos e a realidade. Ao longo da história, mitos como o de Marduk destruindo Tiamat, ou mesmo certas interpretações da filosofia grega e cristã, construíram a narrativa de que o caos deveria ser superado ou ordenado. No entanto, essa interpretação esquece que a realidade, em si, está contida dentro do caos — não como algo que o transcende, mas como uma manifestação temporária e contínua dele.
Dessa forma, a tarefa da cognição consciente não é vencer ou ordenar o caos, mas explorá-lo. A cognição, nesse contexto, vai além do simples logos. Trata-se de um processo mais amplo, que abarca todas as formas de percepção e relação possíveis, sempre levando em conta que a realidade que vivenciamos é apenas uma organização transitória dentro de um campo maior de potencialidades. A consciência é, assim, o ponto onde as forças e suas relações são fixadas, mas essas forças sempre permanecem em movimento, prontas para gerar novas possibilidades e novas realidades.

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