Amar ser quem eu sou
Por muito tempo foi tão difícil
Aceitar e ser quem eu sou
Travestida em mundos estrangeiros
Zombada pela minha própria ação
Sugada e esgotada pelos meu próprios
devaneios
Eu sou uma puta pobre
Eu descendo da senzala e do porto
Seu dotô não conheci
Lá na roça tinha dona Jurema
que rezava para o bem ou para o mal
E todos adoravam Santa Bárbara
mas de cantinho Iansã bradava!
E gente sem perspectiva sonha??
Sonha com o que conhece
E conhece sobrevivência...
Sonha em ter um bocadinho só
E que Deus abençoe!
Esse mar me banha
até hoje, ainda que mais manso.
Conhecer as suas marés é minha sina
Onda vai, onda vem e me afogava
e me afogo e respiro agora...
Só um fôlego sagrado basta
para ver acima da água
Eu adoro poetar
traduzir de um jeito complicado
o que está dentro de mim
Para que seja enxurrada em quem se
poemiza.
Tudo é eu aqui
nesse quarto, nesse agora
e não há mais presença do que essa!!
Se invocava Deus, eu responderia.
Eu não preciso de nada
E eu nem precisaria estar
O momento se mantém por si só no
infinito.
Não quero dar atenção
Quero me dar atenção
É um grito para acordar
Se masturbar, se tocar
se imaginar, se romancear até se esgotar
e ver lá no fundo e entender que nada
disso me resolve
e que nada nunca vai me resolver
Ah, sem palavras!!
Todas canções tentam dizer a mesma
coisa
Todas cores
Todos os sons
Todas as línguas
Todos as teorias
Todas as ciências
Todos os palavrões
Todas as palavras
Todas as crenças
Mas o que move
devagar e sempre
no tempo da raça humana é a fé
Está liga nutre a vontade!
E estamos girando nesse pseudo-globo
que nos é indiferente
Com um monte de gente chata, que não
pensam igual a nós...
Aíii!
Foda-se.
Vamos virar purpurina!

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