Não sei se foi minha criação, apesar de meus pais terem vivido a experiência religiosa em tempos diferentes cada, quando eu era criança meu pai foi fanático pentecostal e quando estava na adolescência minha mãe foi convertida. Nesse meio tempo, tive minhas próprias teorias sobre a religiosidade, mas uma coisa ficou clara. Eu não acreditava. O pouco contato com a religião católica sempre me deixou curiosa de como funcionava toda aquela cerimônia, mas não era algo meu, que fazia parte das minhas viviencias. Da mesma forma a Umbanda era vista de longe como que por debaixo dos panos. Enfim, não consegui criar um apego de crer, uma identificação com um lugar de acreditar. Mais velha conheci o espiritismo e sendo racional gostei da proposta menos colorida, mais logica. Mas depois de algum tempo cheguei no mesmo lugar. O espiritismo era um catolicismo revestido de racionalidade e cientificismo.
Agora, sinto que destruí algumas crenças que mesmo negando estavam inseridas no meu sub consciente pelo próprio meio. Acho que isso é bom! Mas entendendo um tiquinho de como funciona esse meu sistema interno preciso estabelecer uma crença escolhida por mim mesma. Porque ? Por que isso é viver oras! Só pensei nisso por enquanto, acho que provavelmente vou sabotar essas tentativas.
É nessa pegada que a construção de uma identidade com o feminino ancestral me parece representativo como um ser social, onde a dinâmica da nossa época traz à tona a voz feminina suprimida, e principalmente como uma narrativa interna de libertação para o meu ser consciente e inconsciente, das projeções construídas exclusivamente por meu ente através das referências internas e externas que lhe chegaram.
Porém alcançar inconsciente não é um trabalho fácil, ainda menos fácil é remodelar.
Essa é para mim a jornada para alcançar Babalon, uma jornada para primeiramente alcançar camadas internas profundas, tira-las dos moldes e remodelar. Criar a crença talvez.
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