Talvez em uma lua de Saturno, onde não há promessa nem abrigo,
um não-nascido filosofe sem linguagem.
Não pensa: condensa.
Ali, gases não pedem forma — precipitam.
A fundição não é templo,
mas pode parecer templo a quem ainda precisa de teto para o sentido.
Não há ética ali porque não há escolha;
não há direito porque não há exterior;
não há valor porque nada pede permissão para existir.
O saturnino não contempla o ser — opera estados.
Não busca fundamento: trabalha com peso, pressão e tempo.
Tempo lento, denso, sem redenção.
Se algo se estabiliza, não é porque foi justo,
mas porque suportou a duração.
Se algo colapsa, não é erro:
é falha material, não moral.
Esse não-nascido não ergue altares,
mas onde a matéria muda de regime
os observadores chamarão de templo depois.
Saturno não julga.
Ele espera.
Comentários
Postar um comentário