Deitados na cama
Emaranhados de sentimentos, odores, sons, geometrias, esquadrias, anomalias.
Anômalos em um cubo girando no espaço,
e somente nossos traços são o rastro
de mil e uma coisas que cabem num piscar de olhos.
Escorre dos corpos, em todas as direções,
borbulhas de nem sei o quê:
vagam na órbita úmida de cada membrana,
constituintes desse rasgo fulgurante onde brilham.
Olhos falantes, mãos tateadas,
pés ímpios, vulvas e pênis fraternais,
barrigas querentemente ocas,
narinas destiladas perfumantes,
orelhas corníferas, zumbizantes.
Tudo ali, sem nem um instante.
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