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Eu sou um paradoxo incontrolável

Eu sou um paradoxo incontrolável

ser é se dar ao nada
e de nada ter surgido
um crepúsculo eterno sempre advindo

tão mais simples: não ser nada
e de nada crer, se tudo é ser

crer: essa é minha sina
sou tão ingênua, me vendo crer em tudo

todas as histórias são críveis
todo ato gera ato
e todos os entes são tão perfectíveis em sua emanação caminhante
que, se olhar de perto, dá pra entender onde começa a nascente
que levou a enxurrada

ponto sem saída é o há que jaz eternamente
e não há o que se faça com o há

irredutível instante de se haver é só
não tarda nunca, pois só há

então todo ser que se agarra em instantes,
fabulando sua historicidade,
cabula o há,
adora a fábula
e deixa de haver

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