Mea culpa, mea máxima culpa!
Nesse corpo habitam legiões!
Mas só apareço quando tudo é sagrado.
Uma palavra, uma melodia, uma arte, as relações;
em tudo, só estou quando a intensidade
é tão leve que pesa como um nêutron.
Corro o risco de extinção para ver nascer o poema!
O peso mais pesado é o da intensidade
arrancada à percepção,
às custas da forma que engendra
a árvore da existência.
O sagrado não pede chão,
pede intensidade de camaleão.
Rimo às vezes,
e em outras a rima depende
do ponto de visão.
A transmutação é o trabalho
de tornar o corriqueiro em direção.
Assim, sagradas são todas as legiões que me habitam,
quando eu estou.
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