Tudo começou quando surgiu o verbo: o ente que se comunica transmite um significado abstraído de signos com os quais teve contato. O ente que recebe esse significado faz analogias com os signos a que ele próprio teve acesso e, assim, abstrai novos significados. Esse processo se estende desde os desenhos nas cavernas até a construção de computadores quânticos. À medida que ganha complexidade, a simbologia cria sistemas de crenças que são convencionados em uma coletividade.
O tarô pode, então, ser entendido não apenas como uma ferramenta de significados místicos que emergem de outras dimensões, mas como uma construção cujas análises partem dos signos e significados acumulados por milênios de complexificação. Ele é resultado de emergências singulares e convenções baseadas em analogias. A estrutura da linguagem ocidental está implícita nos arcanos, que, além de guardarem mistérios, incorporam linhas representativas que moldam nosso modo de pensar.
Por isso, seu uso prático é eficiente: as probabilidades dentro de um dado sistema já estão inseridas a priori, limitadas por suas linhas representativas.
Sem negar o acesso a outros sistemas que não compreendemos por completo, mas que nos afetam diretamente, podemos tirar proveito tanto de sua pragmática quanto da expansão do nosso próprio sistema individual de significado.
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