Por que realizar qualquer ação se temos a ilusão de que ela traz resultados na realidade?
Todas as direções levam ao nada e, no nada, permanecem atemporalmente.
Tanto desejo e tantas buscas desembocam em uma contínua linha que não tem fim, propósito, fundo ou limite, sem dimensões ou proporções.
Um caldo de nada, mexido por nada, que nada gera além de si mesmo.
Se eu ficar parada, bem quietinha, será que deixarei de perceber a diferença entre esse caldo e mim mesma? E, enfim, sem direção, resultados ou propósito, tudo o que me faz ser eu se tornará indistinto no nada, numa paz sem fim?
Pensar na ação como lidamos com o mundo me lembra Sísifo a rolar sua pedra: um esforço incessante que parece não levar a lugar algum. No entanto, e se o propósito não for o destino, mas o próprio ato de rolar a pedra? Talvez o fluxo da existência não exija resultados, mas presença.
O pensamento mágico também carrega um paradoxo fascinante quando refletimos sobre o ser e o não ser. A magia busca a declaração na realidade, um empurrão para que ela se molde ou se desenhe conforme o propósito. Mas, ao mesmo tempo, tanto aplicar o propósito quanto não aplicá-lo produzem magia. O ser e o não ser, afinal, são como dois lados do mesmo ato mágico, coexistindo no mesmo caldo primordial.
É um paradoxo bonito, meus amigos. A pedra rola, e tanto agir quanto não agir são expressões da mesma dança. O nada gerando a si mesmo é, em si, a maior magia — uma criação contínua onde propósito e ausência de propósito se fundem no agora infinito.
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