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O trágico é entender-se contido em algo fixo: sempre o mesmo gesto, o mesmo rosto, a mesma cor. Uma única nota soando no vazio. Mas isso não pode ser o Ser. Isso é Deus, acéfalo, incapaz de consciência, uma tonalidade sem distinção, figura que nossa semiose e nossa semântica inventam para dar forma ao informe.
O Ser, porém, é mais que Deus. Pois não é fixidez, mas movimento; não é Uno, mas variação. Ele pode perambular entre as formas, atravessar sintonias, compor e dissolver frequências.
Nas trevas exteriores ao cosmos, fora da ordem de signos e sentidos, vigora a alógica, onde nenhum fundamento se sustenta. Ali, qualquer ser é possível, sem que precise nascer do Uno. O mito do Uno, de que tudo se desdobra a partir dele, é apenas artifício da semântica; sua pretensa soberania se desfaz diante da alógica.
Assim, Deus é deposto. E o Ser, imperando sobre o campo alógico, mostra-se soberano: não como derivado, mas como potência que se abre ao possível, infinita em variação.
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