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O mal no bem


Estou tentando calcular o tamanho do mal no bem. Quando observo as relações, percebo que qualquer encontro é culposo. Aqueles que se dizem mais bons escondem, no fundo, o seu ouro interesse: satisfazer algo que é só para si, seja culpa, medo, glória, prazer, autoindulgência.

Essa fantasia de bem, de que seríamos todos bonzinhos, altruístas, humanos, o próprio humanismo, é falaciosa. Nas relações, sejamos honestos: há muito mais mal do que bem. É sempre o que nos toca, é sempre voltado a nós. As relações são guiadas pela maldade, e não pelo altruísmo proclamado.

No fundo, o que move a potência é sempre para si. Não há neutralidade: o fundo ontológico é mau. Não porque se oponha ao bem, mas porque é predatório, egoísta, voltado ao próprio aumento de força. Toda potência é para si, e toda relação nasce culposa.

Se conseguíssemos enxergar isso de frente, sem a ilusão do “como eu sou bonzinho”, pararíamos de nos autoenganar. Porque esse teatro de bondade é só mais um mecanismo de culpa — e a culpa, por sua vez, alimenta o ciclo vicioso do caralho em que seguimos presos.

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