Sonhar é o erótico em sua forma mais pura: despertar no meio de uma conversa banal e perceber a impossibilidade do que se chama real. O impossível se oferece, lascivo, entre brumas contorcidas, formas espectrais e fractais. É preciso cautela: não se deve conceder realidade aos devaneios jubilosos. Mas quem habita entre planos sabe — o hedonismo se transmuta em guerra, e a guerra, meu caro, é amor: junção dos antagônicos, mistério do três.
Em muitas correntes filosóficas, o conceito de devir é central para entender como a vida, o ser, a matéria e o espírito estão em constante movimento. O devir é o processo de transformação, mudança contínua, que nunca se concretiza em um estado final ou estático. Mas e se, ao pensarmos sobre o devir, pudermos também questionar o que está se transformando, como ele se origina e, principalmente, de onde vem essa força transformadora? Quando exploramos o devir-mulher, como o entendo aqui, não se trata apenas de uma mudança fluida, aberta e indefinida, como nos propõem Deleuze e Guattari. O que está em jogo não é apenas um movimento sem forma ou uma transição indefinida, mas uma essência primordial, que se conecta diretamente com a própria base da vida humana e natural. O devir-mulher não é apenas um potencial de transformação, mas a própria força vital, a energia que mantém os seres e suas relações em continuidade. A mulher, nesse devir, é a representação dessa força unificadora, um elo es...
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