Semioticamente, não importa a realidade — ela é sempre construção.
O mito não é ilusão: é o real mais real, o eixo que sustenta todo pensamento.
Nós, seres de carne, não passamos de massas significantes, carregando marcas e inscrições.
Até a carne é signo — jamais pura matéria, mas linguagem encarnada.
É por isso que Cthulhu é real.
Real como a cor azul diante dos meus olhos.
Ambos se dão no mesmo plano: o da experiência que já nasce atravessada por signos.
Se o azul é um acontecimento perceptivo, Cthulhu é um acontecimento mítico.
E entre um e outro não há hierarquia: há apenas diferentes modos do real se inscrever em nós.
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