Deve haver dois modos de imaginação.
O primeiro é o comum, que se prende aos conceitos perspectivos já dados. Nele, imaginar significa apenas projetar o corpo em situações: imaginar os olhos vendo algo, as mãos tocando algo, o corpo agindo como se estivesse presente. É uma imaginação ainda subordinada à lógica sensorial, que se repete dentro dos limites do corpóreo.
Mas há outro nível de imaginação. Um que não se anuncia como projeto do corpo, mas como presença pura. Não se trata de “ver” com os olhos ou de “sentir” com a pele, e sim de simplesmente estar, aberto, em contato imediato com aquilo que aparece. Nesse regime, o tato não precisa da mão, a visão não depende da retina, e a percepção não se organiza a partir de um foco. É a imaginação fluida, liberta da forma corpórea.
É aí que a magia encontra sua diferença. Enquanto a imaginação comum apenas repete, a imaginação fluida cria: abre um campo em que o corpo não é mais medida, mas apenas um entre outros possíveis suportes. Lá, a perspectiva pessoal se dissolve, e o que resta é pura presença.
Foi isso que percebi numa observação, uma meditação, uma visualização em que me vi fora do corpo. Não como fuga, mas como abertura: um espaço em que a imaginação já não pertence ao corpo, mas ao próprio movimento de aparecer.
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