Hoje eu quis ser diferente.
Botei uma camisa,
botei-a até em cima.
Nossa, como estou diferente.
O que é esse ser?
O que é essa camisa?
Onde está meu ponto,
meu convexo, minha forma?
O que sou eu?
O que sou eu?
Dissociação, dissociação, dissociação.
Entre curvas, linhas, mais extremos.
Todos eles dizem que sou eu.
Que ponto sou eu?
Dissociação, dissociação, dissociação.
Nem gosto, nem gostoso, nem desgosto.
Nem nada, nem Nietzsche,
nem toda sua palhaçada.
O Carl, o Freud, o Jung também.
Pois todas essas... analisandas, analisadas,
mentes encucadas
não dizem nada, nada, nada
do ponto que se move.
No meu nada que abre de tudo.
Dissociação, dissociação, dissociação.
Uma rima.
Uma rima na minha cima.
Um ponto que se move
em todas as direções.
Olha a copa do tiro.
Olha a copa do pinheiro.
Não vejo nem copa nem pinheiro.
Nada vejo, nada vejo.
Olha o volante do carro.
A cara da atendente.
Nada de ele.
Estão indo, negurados,
nem nada, todos eles.
Volante, copa, atendente.
Dissociação, dissociação, dissociação.
Da embriaguez, dos temores
que sobram na ressaca.
Até eles mesmos...
vão para o mesmo estado de
Dissociação, dissociação, dissociação.
Por que sou tudo isso?
Nem tudo que sou, também nada sou.
Desse vasto campo de possibilidades.
Que foi desse...
Pequeno ponto girando no nada.
Que eu sou.
Resta a mim agora apenas repetir o mantra
da dissociação, dissociação, dissociação.
Comentários
Postar um comentário