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Nome do pai

Eu, um amontoado de percepções moldadas em eras,

mesmo a carne que sinto arder nem é minha nem existe.

O nome do pai subjaz em mim, cova profunda,

mas só via o vermelho e o branco gorduroso

do que ainda não tinha conhecido.

O conhecimento se faz antes do amontoado,

antes, o verbo do pai,

bem antes das percepções.

É delas seu engendrador,

e, se nelas estiver contido como vaso

que se enche de orgias fantasmagóricas,

não podes reivindicar existência.

O que oscila como pêndulo

entre o tudo e o nada

não pode nunca conhecer o vazio.

E como se daria existir, se se opta entre o bem e o mal?

O que há precisa de temperança para se afirmar?

Poder-se-ia dizer que sim,

olhando a própria carne vermelha e o branco gorduroso das vossas vísceras,

pois, afinal, o que te constitui depende

de tudo mais que percebes.

Mas olha aí: se tiras tudo de que dependes, o que é ser tu?

Esse é o fato e o pacto contra o nome do pai!

Ora, para que não seja: esse é o haver.

Devora o pai em tua carne vermelha e gordurosa de branco,

metaboliza-o até que não reste lei nem transgressão,

até que não dependas de mais nada!

E, abominavelmente, passes a existir.

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