Eu, um amontoado de percepções moldadas em eras, mesmo a carne que sinto arder nem é minha nem existe. O nome do pai subjaz em mim, cova profunda, mas só via o vermelho e o branco gorduroso do que ainda não tinha conhecido. O conhecimento se faz antes do amontoado, antes, o verbo do pai, bem antes das percepções. É delas seu engendrador, e, se nelas estiver contido como vaso que se enche de orgias fantasmagóricas, não podes reivindicar existência. O que oscila como pêndulo entre o tudo e o nada não pode nunca conhecer o vazio. E como se daria existir, se se opta entre o bem e o mal? O que há precisa de temperança para se afirmar? Poder-se-ia dizer que sim, olhando a própria carne vermelha e o branco gorduroso das vossas vísceras, pois, afinal, o que te constitui depende de tudo mais que percebes. Mas olha aí: se tiras tudo de que dependes, o que é ser tu? Esse é o fato e o pacto contra o nome do pai! Ora, para que não seja: esse é o haver. Devora o pai em tua carne vermelha e gordurosa...