Só pode haver Um.
Cruel e solitário destino —
me peguei pensando:
se para alcançar o Um,
é preciso que só Ele reste...
então tudo deve se desfazer:
crenças, propósitos, intenções.
Mas não para aí —
desmoronam também os rostos,
as criaturas, as texturas,
os sabores, as cores.
As instâncias se liquefazem,
os contornos derretem,
e tudo o que era “eu”
vagueia, sem forma,
tentando ainda nomear
o que já não pode ser nomeado.
É nesse ponto que o real se distorce,
que se caminha no vazio entre as formas.
Não se é mais.
Mas tampouco se deixa de ser.
O Um,
não é a presença.
É a ausência de qualquer outra coisa.
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