Que graça há em viver,
se não fizer de todo instante um trágico
apontamento para o próximo?
Essa é a mastigação dos instantes do porvir a porvir...
Mas tenho sentido que vi hoje o que amanhã já aconteceu,
e que o que senti ontem está agora na boca,
e que o que vomitei há pouco ainda não nasceu!
E tudo verve, ou ferve, ou é refrescância —
ânsia, ganância, abstinência, tolerância, e pujança!
Ah, gozo sem fim — cada dor é um acúmulo a mais de mim!
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