Desata o nó do nada
Ata o nó no tudo
Resvala nas sombras das samambaia
Cuspe um símbolo maldito
Regurgita no assombro bobo
Que o bobo vasculha na zona malva
Sopra a vela da nau
que naufrágios molham a grama verde
A verde estrela aponta para todos os lados
e o casco do cavalo pisa, pisa no galope
a esfera aquosa.
Um espectro lança cores no picadeiro
que se misturam no próprio tempo
E na ribalta projeta-se infinitos fotóns dançantes a ludibriar.
Gás do riso estagnado na garganta das moças
sonsas embriagadas com suor nervoso, no gozo e no gozear.
Flores cantam, pássaros caminham e ursos polares dançam como
bailarinas até se esgotarem.
Moscas com suas asas translucidamente coloridas
voam sobre o rio de mel, doce, que doce , óh doce!
Coelhos acasalam e procriam no mesmo instante.
E os coelhinhos já entram no interdito.
O que há entre cada palavra? O que se esconde que não está no símbolos e signos,
mas que é tão mais real que o real?
Toda projeção diz algo que não é dito.
A receita de tudo deve estar no interdito,
algo que se cava detrás do que parece,
aquela força motriz que não aceita os recalques e
impera no submundo do que se representa.
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