Nesse reino que emano,
Todos os deuses sou eu!
É uma orgia profana e sagrada,
Onde gozo e sofro,
E aproveito os fluxos das minhas criações
Para gerar mais, mais e mais.
Onde quer que me leve esse rio caudaloso
De afetos e afecções,
Vou fluindo onde possa criar momentos
Inéditos de vigor que geram mais momentos de vigor.
A dor é companheira próxima,
E seu teor é de delicado gosto,
Um vinho extravagante e sutil.
A monotonia é ser;
Se não sou, posso tudo em todos.
O instinto é um guia certo para não ser;
Ele arde sem ressentimentos,
Buscando queimar o instante.
Esse reino é tudo;
O resto é ilusão:
Todas as angústias, frustrações, obrigações, chateações,
Representações, humanismos de vítimas de todos os lados,
Angústias construídas no calabouço das infâncias
De aeon em aeon,
Tudo isso é nada, assim como eu sou nada.
Não há redenção e não há pecado,
E não há vontade que invada meu reino.
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