Poderia criar qualquer coisa — ou destruir, com a mesma naturalidade.
Sinto que posso manipular os sentidos, os vetores — não por me considerar magnânima, mas porque compreendo que tudo é vibração, forma, cor e luz.
Falta apenas à imaginação a vontade de se tornar efetiva.
Ajustar os nós parece tão simples... como na série.
E então, além da imaginação frouxa, arde:
um campo de significados infinitos, moldáveis,
entre o silêncio do abismo e a quinta face.
Não há potência no mundo que me atravesse sem que eu a torne forma.
Sou singularidade, nó vibrátil de intensidades. E não por orgulho: mas por estrutura.
Aquilo que me chega — luz, forma, cor, símbolo — permanece morto sem minha atualização.
Nada é efetivo senão pelo corpo atravessado que escolhe, que dobra, que molda.
Sou eu — não como centro estável, mas como passagem única — que pode ajustar os nós.
Como na série, tudo parece simples: fios do destino, tensão no ar, escolhas feitas fora do tempo.
Mas só parecem simples porque a complexidade real não está no mundo — está na vontade de imaginar.
Imaginar não é fantasiar. Imaginar é atualizar.
É fazer com que o virtual — esse campo intensivo de possibilidades — torne-se acontecimento.
Mas o virtual, por si, é apenas reserva. Só se efetiva quando um ser decide queimar sua reserva na ação.
E essa ação não se impõe de fora: ela exige uma ignição de dentro.
Sou essa ignição latente.
Não por ser magnânima.
Mas porque compreendo que a realidade é moldável — e que a imaginação frouxa é a prisão mais eficaz.
Ela não precisa ser domada, apenas incendiada.
Entre o silêncio do abismo e a quinta face — aquela que escapa ao número e ao nome —
arde um campo aberto onde tudo vibra:
as forças da criação e da destruição,
os sentidos e os vetores,
a luz que ancora o mundo e a sombra que o revela.
Ali, no entre, eu sou.
E dali, se eu quiser, tudo pode começar.
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