Os conceitos, quando dizem “são”, não abarcam o imediato oposto, e com isso vemos o problema das definições.
As definições que criamos apontam, de longe, apenas uma fração do abismo aconceitual.
Potestades e potências podem ser explicadas em meros anjos e demônios, como forças que estruturaram o abismo e, por conseguinte, o cosmos. Mas não se deixe enganar, pois essas definições são apenas conceitos — não aquilo que é.
Imaginemos, num esforço para entendimento, que fora das percepções não apenas não há tempo, mas que ele é subjacente ao que é. Assim, eras e éons deslizam no que é.
O que é se expande sem limites, não estando na eternidade, pois esta é um conceito limitado à nossa compreensão. O que é, simplesmente é.
Essa seria a realidade dos acéfalos — entidades cuja natureza, para nossa compreensão, se aproxima do devir.
Sofro de uma luta de definir, definir, mas de um jeito que desdefine. Antes de tudo, o espaço precisa ser criado, um abismo interno, para que o informe possa se preencher. Quero que, com tanta definição, o colapso se apresente como um demônio, criado das minhas definições desdefinidas.
Ops, eu vou desdizer aquilo tudo que eu te disse antes!
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