Pular para o conteúdo principal

Pragmática

Os sistemas mágicos, especialmente os ocidentais, parecem limitados pela linguagem. Tudo o que tentam alcançar soa superficial, raso. Não pretendo me isolar como uma eremita, mas trabalhar com eles de forma pragmática, utilizando o que me é útil. Diante disso, só posso ser direta, manipulando aquilo que está ao meu alcance, ainda que a experiência muitas vezes se assemelhe a conversar com crianças.

É difícil levar tudo a sério; o mundo parece pateticamente ridículo. Ainda assim, as motivações surgem nos lugares mais inesperados — podem ser um mendigo na rua, uma briga ou qualquer outra coisa que pulsa com a crueza da vida real. No final, eu vim só e vou só. O que sinto não muda muito, a não ser por me dar peso nos intentos — fluxos que podem ser aproveitados. Eu sinto, mas tenho plena consciência de que isso não faz sentido para mais ninguém além de mim. O fim é sempre egoísta.



Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O Devir-Mulher: O Fluxo Essencial do Ser

Em muitas correntes filosóficas, o conceito de devir é central para entender como a vida, o ser, a matéria e o espírito estão em constante movimento. O devir é o processo de transformação, mudança contínua, que nunca se concretiza em um estado final ou estático. Mas e se, ao pensarmos sobre o devir, pudermos também questionar o que está se transformando, como ele se origina e, principalmente, de onde vem essa força transformadora? Quando exploramos o devir-mulher, como o entendo aqui, não se trata apenas de uma mudança fluida, aberta e indefinida, como nos propõem Deleuze e Guattari. O que está em jogo não é apenas um movimento sem forma ou uma transição indefinida, mas uma essência primordial, que se conecta diretamente com a própria base da vida humana e natural. O devir-mulher não é apenas um potencial de transformação, mas a própria força vital, a energia que mantém os seres e suas relações em continuidade. A mulher, nesse devir, é a representação dessa força unificadora, um elo es...

Filosofia do Irredutível

Não se trata de escolher um fundamento. Trata-se de negar tudo o que tenta ocupar esse lugar até que reste apenas o que não cede. Não é a negação como recusa. É a negação como operação. Linguagem não escapa. Se se diz que é limite da linguagem, ainda assim se diz. Silêncio não escapa. Se se apela ao silêncio, ele comparece. Indizível não escapa. Se se invoca o indizível, ele insiste como limite. Nada disso suspende. Nada disso retira o problema. Tudo isso já está no haver. Não para uma mente. Não para um sujeito que percebe. Para que haja qualquer mundo. Não há um “para quem” anterior a isso. Então não é questão de dizer melhor. É questão de não poder evitar. Há. Não como coisa. Não como ente. Não como conceito que se sustenta por si. Mas como impossibilidade de não haver. Tentar negar isso não falha. Não chega a se sustentar como tentativa. Porque a negação já opera no haver. E essa impossibilidade não é inerte. Ela não permanece muda sem consequência. Não se sustenta um haver absolut...

Quero

Quero que me ame de forma de forma sobrenatural, que sobrepuje as convenções  morais,  que inflija as leis naturais,  que ultrapassarmos organismos mortais. Quero somente a ti! Do instante passado não me esqueci, no cérebro conservar-te,  com o corpo afagar-te Quero luxúria explícita! Filha dos desejos seus,  dono dos desejos meu,  carrasco do corpo meu. Quero tempestade e bonança!  Dar-lhe júbilos em abundância,  ser sua única esperança, e em seu sacrifício morrer fustigado.